“Neste Portugal bendito foi Arouca quem pousou para o quadro mais bonito que a natureza pintou…”.

É sempre bom relembrar aquilo que nos define enquanto comunidade, as nossas raízes, as nossas tradições e a nossa identidade. É por isso que setembro é, por excelência, um dos meses mais importantes para os arouquenses, um mês que reforça o imenso orgulho que todos sentimos por sermos (de) Arouca.

Daqui a uns dias estaremos todos, ou quase todos, a sair à rua com os olhos a brilhar por vermos as ruas de Arouca ainda mais cheias de cor e de vida naqueles que são os dias da nossa grandiosa festa, a Feira das Colheitas. Serão 4 dias de reencontros e regressos, de convívio, de união e de partilha, de genuinidade e de felicidade extrema por sentirmos que estamos a abrir as portas da nossa própria casa para receber os amigos na nossa sala. E Arouca é isto mesmo, é a nossa casa comum que tem a sorte de ter uma enorme sala de estar que acolhe todos os que chegam por bem e onde cabe sempre mais um. Em Arouca gostamos de bem receber, somos hospitaleiros e afáveis para com os nossos e para com quem nos visita. Somos muito vaidosos por termos tido o privilégio de nascer ou viver em Arouca e teimamos em afirmar que vivemos num pequeno pedaço de paraíso, porque Arouca assim o é.

Estes são e serão sempre os 4 dias em que vivemos e sentimos Arouca com uma intensidade incomparável e como uma alegria única em que saboreamos todos os momentos sem pressas e de sorriso franco e aberto. A Feira das Colheitas permite-nos sentir e partilhar as nossas tradições e origens de forma ímpar, seja através do ecoar das suas vozes e dos seus cantos tradicionais, seja dos seus trajes e das danças, dos concertos, das exposições ou da gastronomia.

A maior festa do nosso concelho continuará a ser sempre uma parte de nós porque é feita de pessoas, de lugares, de sentimentos e de vivências que permanecem connosco, independentemente de toda e qualquer circunstância. Por mais anos que passem, por mais gerações que nasçam, por mais lugares por onde passemos, é aqui que nos sentimos em casa e é aqui que cantamos a plenos pulmões, e várias vezes por dia – ou por noite, o nosso hino, surpreendendo sempre quem aqui chega de novo e não está habituado a este sentimento de pertença que tão bem nos define enquanto comunidade. Aqui sentimos o sabor genuíno dos produtos do campo, da raça arouquesa e da doçaria conventual, aliando a beleza paisagística à riqueza histórica de um concelho que se soube ir adaptando à passagem do tempo e às exigências de um mundo que muda a uma velocidade estonteante.

Foi há 78 anos que nasceu um dos maiores motivos de orgulho que temos pela nossa terra. Na altura, e num contexto de guerra, preços elevados e escassez de alimentos, procurou-se que a Feira das Colheitas contribuísse para o aumento da produção de cereais, apostando na troca de experiências e em debates entre os produtores que concorriam a concursos como o da melhor seara, fruta, adega, linho e raça arouquesa. Era por esta altura que se visitavam as searas premiadas e se trabalhava para melhorar as técnicas de produção.  As feiras, os concertos, as exposições, o folclore e a gastronomia vieram enriquecer um certame que se tornou único na região e um exemplo no país. Ao longo dos anos temos sabido, enquanto comunidade solidária, próxima e unida, alimentar esta e outras tradições, amadurecendo este sentido de pertença a um concelho que tanto nos orgulha.


A Feira das Colheitas é a nossa festa, um momento especial feito de reencontros e de abraços adiados e prometidos ao longo de um ano, de olhares que se cruzam e que brilham como o espelho de uma alegria que se espalha pelas ruas da nossa vila, fazendo de Arouca a nossa sala de estar comunitária. Aqui cabe sempre mais um e somos felizes simplesmente por estarmos juntos e celebrarmos a beleza e a história das nossas origens. O último fim de semana de setembro será sempre o mais bonito e o mais especial de todos. Este será sempre o nosso mês, aquele que reforça a imensa vaidade que sentimos por sermos arouquenses.

E que assim continuemos, de geração em geração.

Arouca é verdadeiramente especial e uma das razões está aqui, na força e na união de todos, no orgulho que sentimos por esta terra onde somos tão felizes.

Somos, efetivamente, “o quadro mais bonito que a natureza pintou”!