“1618”, o maisrecente filme do realizador português Luís Ismael, que foi parcialmente rodado em Arouca, em espaços como o Mosteiro e a Serra da Freita, estreia no próximo dia 29 de setembro em Portugal e também nos Estados Unidos. Trata-se de uma história baseada em factos verídicos e que nos revela como foi a visita da Inquisição à cidade do Porto, e como os seus habitantes reagiram à perseguição aos cristãos novos que ali viviam. Já venceu mais de 60 prémios em festivais internacionais.

Em declarações exclusivas ao “Discurso Directo” Luís Ismael mostrou-se particularmente agradado por ter gravado em Arouca, dando também nota do trabalho “impecável dos figurantes”. O Teatro Experimental de Arouca participou, a este nível, com 18 elementos.

É “em termos de produção, único no cinema português”

Em entrevista ao programa Ensaio Geral, da Renascença, o cineasta sublinha que então “existia uma catalogação entre os cristãos novos e os cristãos velhos”. O filme que parte de casos verídicos traz a lume a história da “entrada da Inquisição no Porto que foi à procura de delatores que acusassem pessoas que tinham práticas judaicas”, explica Luís Ismael.

“O mais desafiante foi pegar neste filme e tentar produzi-lo em Portugal, com todas as limitações que existem”, destaca Luís Ismael que rodou o filme em apenas “três meses”, mas depois de oito meses de pré-produção.

“Havia dias que tinha no set cerca de 200 a 300 figurantes, animais e adereços”, recorda Ismael, que já antes realizou outro filme histórico de temática judaica, como o Sefarad. Segundo as suas explicações “1618” é “em termos de produção, único no cinema português porque teve uma carga tanto financeira, como artística e técnica bastante intensa”. O realizador, que também já assinou outros filmes como “Balas e Bolinhos”.

Sobre os prémios Luís Ismael confessa que essas distinções foram para si uma surpresa. “Já teve quase 60 prémios, desde melhor filme, melhor realizador, melhor arte, melhor guarda-roupa, melhor direção de fotografia, até prémios de melhor casting. Tem surpreendido. Teve também o interesse de várias distribuidoras e uma americana pegou no filme e está a decorrer neste momento o processo de venda”, conta Luís Ismael à Renascença.

Com produção da Lightbox, o filme conta com a participação dos atores Pedro Laginha, Catarina Lacerda, Francisco Beatriz, Mafalda Branqart, Heitor Lourenço, Pompeu José, entre outros.

“1618” faz parte de um projeto inter-religioso e de combate ao antissemitismo entre a Comunidade Judaica do Porto que é detentora dos direitos sobre o filme e a Diocese do Porto. Quando estrear, as receitas do filme em Portugal irão reverter para fins de solidariedade social, numa parceria entre a Diocese do Porto e o Banco Alimentar.

Foto:Carlos Pinho