Cerca de 15 km do Rio Paiva estão praticamente secos, sendo que as descargas poluentes continuam a agravar a degradação desta área protegida, que está já em situação de catástrofe natural

A associação SOS Rio Paiva, quando contactada pelos DD, após os alertas que tem vindo a fazer nos últimos tempos devido a esta crise, nas redes sociais, afirmou que a poluição e a intervenção humana estão a destruir este curso de água.

Além das pedreiras que continuam a poluir o Rio Paiva na zona do alto Paiva, conforme foi recentemente noticiado, persistem outros problemas e focos de poluição neste rio, que já foi considerado um dos mais limpos da Europa, e que é protegido a nível europeu como Zona Especial de Conservação da Rede Natura 2000.

Este novo alerta por parte da SOS alerta para o facto de cerca de 15 km deste rio estarem secos e “sem uma gota de água há vários meses”.

Esta situação inédita afeta especialmente a zona do Alto Paiva no troço inicial do rio entre os municípios de Moimenta da Beira (onde o rio nasce) e Vila Nova de Paiva. “O rio está totalmente seco na nascente e ao longo de vários quilómetros até à praia de Segões, onde um açude garante a existência de alguma água que se apresenta bastante degradada sem condições para a prática balnear. A jusante deste local a água é muito escassa, com vários troços totalmente secos”, confirmou a associação.

Mais informaram que a situação é de “verdadeira catástrofe ambiental”, e que para agravar mais o estado do rio, o “município de Vila Nova de Paiva continua a efetuar descargas poluentes diretamente no pouco caudal que resta do rio”, situação que agrava ainda mais os problemas de poluição e de seca extrema.

No passado dia 19 de agosto a S.O.S. Rio Paiva gravou imagens das descargas da ETAR de Vila Nova de Paiva e apresentou mais uma denúncia às autoridades. Há 12 anos que esta associação apresenta denúncias relacionadas com a poluição da ETAR de Vila Nova de Paiva, e passados estes anos o problema continua igual, com descargas de efluente sem tratamento no leito do Paiva, tal como referiu a associação.

A denúncia foi efetuada ao Serviço de Proteção Ambiental da GNR e à Agência Portuguesa do Ambiente para que atuem com máxima urgência na resolução deste grave problema, bem como para a situação de catástrofe natural relacionada com a seca extrema. A associação entende que é ainda urgente que o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) avalie os impactos deste fenómeno na biodiversidade e conservação da fauna e flora do rio Paiva, uma vez que compete a esta entidade garantir a conservação desta área protegida.

Os graves problemas no Alto Paiva estão a refletir-se a jusante, nomeadamente em Arouca, Cinfães e Castelo de Paiva onde o rio se apresenta com uma cor esverdeada e maus cheiros, que resultam, muito provavelmente, da escassez de água, temperatura elevada e da concentração de nutrientes orgânicos e inorgânicos vindos de fontes poluentes. Estas condições favorecem o crescimento anormal de microalgas e outros micro-organismos que acabam por produzir a cor verde e mau cheiro no rio.

A S.O.S. Rio Paiva apela às autoridades nacionais que atuem com urgência, colocando em prática o Plano de despoluição e conservação do Rio Paiva, apresentado pelo partido PAN, e aprovado na Assembleia da República em setembro de 2021, mas que continua por implementar.

Poluição e eutrofização no leito do rio em Vila Nova de Paiva;
Local de descarga do efluente da ETAR de Vila Nova de Paiva no rio Paiva;