Concessionário esperava uma intervenção mais ampla

Joaquim Gonçalves é o responsável pelo Parque de Campismo de Merujal há 17 anos e meio e, no passado dia 29 de julho, concedeu uma entrevista ao nosso Jornal DD de modo a esclarecer como é gerir o único parque de campismo de Arouca, como correu a atividade durante a pandemia (quais dificuldades sentidas), e como decorrem as obras que estão a ser levadas a cabo pela Empresa Empribuild no local.

O empresário acredita que o contacto com a natureza e com a montanha é atrativo, especialmente para os mais jovens e para as populações dos grandes centros urbanos. Mais informou que “em julho vem gente de muito lado para fazer observações astronómicas e fotografar chuvas de estrelas que são muito visíveis nesta altura do ano.”

O parque de campismo é um alojamento barato e acessível “muito especialmente para grupos jovens, desempenhando, assim, um pepel social”, sendo que o empresário referiu que estes podem “poupar no alojamento para gastar no combustível, até chegarem cá!”

Pandemia fustigante

No ano de 2020, o parque de campismo do Merujal só abriu cerca de 2 meses, no total, pois, além das medidas de contenção, havia medo “a afluência foi cerca de 10% da habitual com custos de manutenção e funcionamento de cerca de 12.000 € anuais. Foi para esquecer. Se não fosse um pequeno apoio do Estado, e o perdão de algumas rendas por parte do Município não tínhamos aguentado. Em 2021 melhorou, especialmente na época alta, mas inferior aos anos antes da pandemia”, referiu JG.

Atualmente referiu que apesar de existir muita procura, “temos pouca capacidade de resposta no que respeita a bungalows e outros alojamentos alternativos, sendo que as próprias áreas acampáveis também não são muito grandes” adiantou.

Joaquim Gonçalves afirmou ainda que tem mais clientes nacionais, e que a grande maioria se desloca à Serra para fazer atividades desportivas tais como o pedestrianismo e corrida de montanha, “está na moda!”. Relativamente a estrangeiros o responsável destaca os franceses, galegos e alemães, sendo que ingleses apanha muito raramente. “Também não são gente para ficarem de barriga ao Sol: veem, quase sempre para percorrer, fazer, conhecer, experimentar. Muitos também se deliciam com a cozinha que se faz por cá. A nossa clientela, de uma forma geral, é gente que gosta mesmo da montanha e da Natureza”, informou.

Há obras a decorrer

Apesar de estarem a decorrer obras no parque estas não vão ser realizadas em todas as áreas que necessitam de intervenção pois, segundo a gerência, “infelizmente não temos conseguido que o Município nos ouça, esbarramos, quase sempre, na indiferença, no arrastar das situações, no protelar de soluções” referiu Joaquim Gonçalves.

Aquelas que eram o calcanhar de Aquiles, ou seja, as instalações sanitárias dos campistas, estão a ser renovadas e requalificadas, todavia, as outras áreas que carecem de intervenção urgente são: a cobertura do edifício; substituição de todas as portas e janelas; aumentar a capacidade das instalações das senhoras da sala do restaurante, melhorar a zona coberta de utilização comum e cozinha campista “isto tudo no edifício de apoio”, reforçou JG.

O gerente ainda acrescentou que “há anos” que clama por bungalows, por um portão de emergência ao fundo do parque, drenagem de águas pluviais, e para o alargamento para montante conforme o previsto no contrato de arrendamento.

Para somar, cerca de 60% das telhas do edifício principal estão estaladas, escamadas ou partidas, sendo que as “janelas, de vidro simples, sem portadas e com caixilhos em madeira não tratada, têm mais de 30 anos.” As portas estão na mesma situação, sendo que tudo está podre, como o DD pode conferir no local, tanto que JG afirma que esta situação é “visível por toda a gente”, e que num ambiente “tão agreste como o da Freita, estes materiais já cumpriram a sua função.”

Pormenores “que não se entende a finalidade” e obra que não progride

A gerência do Parque do Merujal mais informou que não acompanha a obra que está a ser realizada pela empresa Empribuild “observamos de fora e nada mais”, no entanto, o que sabem é que obra não progride e está a ser “realizada” desde meados de maio.

Joaquim Gonçalves acrescenta que não entende qual a finalidade de se construir um muro em pedra, com 72 m de comprimento e 70 cm de altura, “como se aquilo fosse o mais importante de tudo”, dizendo que são “coisas do projeto e respetivo contrato”.

O que é de facto desagradável para o empresário é que, em plena época alta, “transformaram uma das zonas mais nobres do parque em estaleiro!”

JG confessou mesmo que acredita que outras “coisas igualmente desnecessárias serão feitas e desfeitas”, pois ninguém entende “para que será tal muro”, desabafando que este se trata apenas de uma “imposição de um funcionário camarário que não tem qualquer respeito pelo erário público, depreendemos nós.”

Ao longo dos anos vários foram os pedidos para melhorar funcional e esteticamente o Parque, mas todos foram sendo prorrogados, referindo que o apoio sempre foi prometido e nunca concretizado.

Urgente é também para o empresário colocar um teto falso na sala do restaurante, dotar o edifício de painéis solares e um instalar um “sistema misto de gás e solar no sentido de reduzir os custos com o aquecimento de água que, aqui, sai gelada da mina (está em resolução)”. Importante será também, no entender do mesmo, reforçar a captação de água, dotar os arruamentos com sumidouros e desvio das águas da estrada municipal, “que invadem o parque provocando grandes danos por erosão nos terrenos acampáveis; melhoramento da vedação; aumento da casa do guarda; instalação de bungalows; aumento da área do Parque para montante”.

O gerente referiu num tom não muito esperançoso que, “depois dos tempos, outros tempos virão. Aguardamos melhores tempos!”.

Debate na Assembleia Municipal

A problemática sobre as obras no parque de campismo foi já motivo para debate, em várias sessões da Assembleia Municipal. Na de abril deste ano o PSD, pela voz da deputada Alda Portugal, lançou várias críticas pelo facto de as obras não cobrirem as reais necessidades.

Na altura, a Presidente da Câmara, Margarida Belém, assumiu que a reabilitação do equipamento, sendo uma intervenção com cerca de 300 mil euros, vai permitir requalificar aquilo que é urgente e necessário, adiantando também que o Parque e o Restaurante vão permanecer abertos, de forma a criar o menor impacto negativo e que necessita, principalmente em época alta de utilizar este parque, assegurando-se, assim, as condições mínimas.

Texto: Ana Castro

Muro que está a ser edificado no interior do Parque
Paredes com humidade e tinta “a descascar”
Janelas com visiveis sinais de apodrecimento e desgaste