O mês de maio em Portugal continental foi classificado pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera como “extremamente quente e muito seco”, sendo mesmo considerado como o “mais quente” dos últimos 92 anos.

E vem isto a propósito do que se passou na região da Catalunha, onde três incêndios reduziram, nos últimos dias, cerca de 1100 hectares de bosques e arbustos a cinzas. Também em Zamora, bem próximo de Bragança, bombeiros portugueses ajudam no combate a um incêndio que já fez arder mais de 20000 hectares de superfície florestal, sendo nesta região necessário proceder à evacuação das populações de várias aldeias. As altas temperaturas e as notícias das tragédias que decorrem no país vizinho dão ainda mais sentido a que se assinalem neste mês de junho os 5 anos da tragédia dos incêndios em Pedrogão Grande.

A entrevista concedida pelo Professor Xavier Viegas ao Semanário Nascer do Sol é bastante elucidativa dos problemas que ainda decorrem no nosso país, no ordenamento da nossa floresta e do perigo que ainda corremos relativamente aos incêndios. Já aqui referi nesta coluna, e nunca é demais relembrar, que este conceituado académico da Universidade de Coimbra, já jubilado, coordenador do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais, esteve em Arouca em 2016, precisamente antes dos incêndios de Pedrogão e dos incêndios de outubro desse mesmo ano que, infelizmente, também atingiram Arouca. Na altura, o PSD Arouca, organizador da sessão, lançou uma petição apelando a novas estratégias de combate aos fogos florestais, parecendo a esta distância premonitório do que infelizmente aconteceu. Assim, na referida entrevista, aquele que foi o coordenador do grupo de trabalho nomeado pelo Governo para apurar o que falhou no incêndio de Pedrógão Grande, lamenta que não tenham sido implementadas grandes mudanças nas políticas de prevenção, alertando mesmo que o risco de incêndio em Portugal vai multiplicar. Xavier Viegas foi questionado sobre o programa Aldeias Seguras, criado para maior capacitação da população, e referiu que “o que viu ser feito foi que se definiram normas de segurança, se nomeava o oficial de segurança, se fazia um simulacro, mas sem continuidade”. Ora, recentemente, na Assembleia Municipal, quando questionada sobre este mesmo programa e o que Arouca dele retirou, a Sra. Presidente da Câmara Municipal de Arouca deu uma perspetiva mais positiva, referindo que, no caso do nosso município, “está a haver um reforço a este Projeto, com dois novos projetos, sendo um deles o Projeto dos Condomínios da Aldeia, garantindo uma diversidade de espécies autóctones, proteção de pessoas e bens, criação de faixas de segurança com frutícolas, com a gestão da paisagem, gado, mas são projetos que demoram algum tempo a implementar”. Deste modo, poderemos concluir que a perspetiva de Arouca é, felizmente, bem melhor face às expetativas do entrevistado. Esperemos bem que sim…

As alterações climáticas são uma realidade face às quais os Governos vão continuar a ter que enfrentar e tomar medidas. Os territórios com maior área florestal, como Arouca, não podem deixar de ter uma política que tenha em conta a prevenção e o ordenamento do território como vetores fundamentais no combate aos incêndios. Como refere Xavier Viegas, “precisamos de campanhas de prevenção de incêndios todo o ano” e, obviamente, urge que o executivo concretize um novo documento que colmate aquele que foi considerado um mau Plano Municipal de Defesa da Floresta contra Incêndios porque não servia Arouca nem os arouquenses.