Por: Eduardo Costa-Eduardo Costa, jornalista, presidente da Associação Nacional da Imprensa Regional

Um país à deriva. Um barco a meter água e sem solução à vista. Poderia estar a exagerar se não fosse muito grave. Grávidas a chegar às urgências e não serem atendidas! Ser obrigadas a procurar outro hospital, como pedintes desesperados! Intolerável!

Intolerável também a culpa morrer solteira. Aliás, como (infelizmente) estamos habituados!

O primeiro-ministro anunciou que a ministra ia apresentar uma solução. A ministra veio dizer que nomeou uma comissão.

Dizem que Salazar afirmava que quando um problema não era para ser resolvido nomeava uma comissão. Assim fez a senhora ministra. Sem solução, adia a resolução do problema. E, entretanto, as grávidas sofrem e desesperam.

A senhora ministra diz que o problema existiu sempre. Irritante discurso! Então, a senhora Marta Temido confessa que bem sabia do problema grave, mas nada fez! Tem a distinta lata de dizer que faz como os outros que a antecederam: também nada resolve!

A culpa?! Ao povo que paga os seus impostos e a quem garantem que tem assistência hospitalar se precisar, a este povo que sofre pouco importa de quem é a culpa! O que o bom povo gostava era de ter governantes com capacidade para resolver os problemas! Afinal, é para isso que neles votam! E poucos são os que mostram estar à altura das exigências do emprego!

Porque, como disse o ministro das finanças a propósito da grave situação das grávidas sem assistência hospitalar, não é um problema de dinheiro! Tem razão o senhor Medina. É mesmo um problema de (in)competência!