Por: Eduardo Costa jornalista, presidente da Associação Nacional da Imprensa Regional

Enchi o depósito em Espanha. Próximo de um e meio euros por litro. Em Portugal paguei cerca de dois euros. Percorri centenas de quilómetros de estradas espanholas sem pagar portagem. Mal entrei no nosso país, os pórticos da cobrança de taxas começaram a apitar.

Se é assim com os particulares, podemos imaginar a conta das empresas portuguesas que transportam mercadorias.

Tendo que competir em preços com outros países, as empresas portuguesas têm, assim, maiores custos. Os empresários portugueses fazem impossíveis?! Como conseguem vender ao mesmo preço que os seus concorrentes estrangeiros e pagar bastante mais na cadeia de produção?!

Como a manta não estica, o dinheiro também não. Como fazem então os empresários para conseguirem ter as empresas a funcionar?! Uma das soluções que têm à mão para subsistirem é pagar baixos salários e sendo obrigados a não dar aos seus trabalhadores as condições que gostariam. Naturalmente que, como o dinheiro não cresce, também investem menos. E, assim sendo, continuamos com índices de produtividade muito abaixo do que seria desejável.

Nós aguentamos tudo! Já alguém o disse! Mas, há um preço a pagar. Tal como, baixos salários, condições de trabalho abaixo do desejável e reduzido investimento das empresas.

E assim vamos vivendo…  Menos bem do que merecíamos. Mas, por outro lado, temos o que merecemos. Afinal, somos nós quem põe nos governos os que ditam os elevados preços que somos obrigados a pagar. Bastante mais elevados que outros países. Sem aparente justificação!

Destaque:

“Nós aguentamos tudo! Já alguém o disse! Mas, há um preço a pagar. Tal como, baixos salários, condições de trabalho abaixo do desejável e reduzido investimento das empresas.”