A vespa asiática ou velutina tem vindo a ameaçar, desde que chegou a casa em 2011, não só segurança das comunidades, como também o trabalho dos apicultores e a produção de mel concelhios e nacionais. Numa edição anterior, o nosso jornal já se debruçou sobre esta problemática realizando uma reportagem na qual revelou o testemunho do produtor de mel arouquense João Martins. Passados alguns meses, o DD quer saber qual o ponto de situação do problema, e o que está a ser feito pelo município e pelas entidades competentes para mitigar ou extinguir o mesmo. João Martins apicultor proprietário da ApisFreita voltou a dar o seu contributo.

Que medidas está a tomar a Autarquia de Arouca

Tendo em consideração a evolução da dispersão e do número de ninhos presentes nos anos de 2021 e 2022 no concelho, o Município optou por apostar, já no ano corrente, na colocação de um elevado número de armadilhas, (cerca de 400) ao longo do território, “com o intuito de capturar o maior número de vespas fundadoras e assim perspetivar uma diminuição considerável do número de ninhos que possam vir a surgir na próxima época. Esta ação tem como principal objetivo controlar o número de indivíduos da espécie, e as consequências que estes poderão trazer para os ecossistemas locais”, avançou a autarquia.

Até ao momento, a edilidade informa que ainda não é possível indicar uma razão específica para o aumento exponencial de ninhos, desde 2021, porque sendo esta espécie recente em Portugal, ainda não existem estudos que “apontem de forma inequívoca a sua dinâmica e quais as causas que poderão ter levado a um aumento tão acentuado do número de indivíduos e consequentemente de ninhos.” Todavia ressalvam que esta dinâmica do aumento do número de ninhos é transversal a todo o território nacional.

No que respeita ao número de ninhos reportado em Arouca este é, segundo fonte municipal, bastante elevado, visto que a população está sensibilizada e em alerta para este problema. Inclusive na época de maior incidência, são reportados, quase todos os dias, ninhos aos Serviços do Município, “quer seja por parte de apicultores, quer por munícipes ou turistas que vão percorrendo o nosso território.”

O Município mais informa que todos os ninhos reportados são intervencionados, mas que não é possível afirmar se todos os existentes são identificados, uma vez que o facto de a incidência ser maioritariamente em árvores de grande porte, e com folhagem densa pode dificultar a sua identificação.

Um trabalho em rede

Como é do conhecimento público este é um trabalho que deve ser feito em rede, e tal como o Município de Arouca os Municípios vizinhos têm-se empenhado e desenvolvidos as suas estratégias. No entanto, a autarquia de Arouca acredita que seria extremamente útil a existência de uma estratégia nacional para o controlo desta espécie invasora, “dado que ela não escolhe limites administrativos”.

Neste momento, as primeiras vespas fundadoras estão a sair da hibernação, daí a necessidade de colocar armadilhas para as apanhar antes que coloquem ovos. Os próprios apicultores, junto dos seus apiários, têm colocado armadilhas, deste modo, a câmara espera que o número de ninhos venha a diminuir consideravelmente já na próxima época.

“No entanto, tratando-se de um ser vivo em que as dinâmicas não são constantes e variam com o próprio clima, será ainda muito cedo fazer essa previsão”, concluem.

João Martins-ApisFreita

O DD contactou novamente João Martins com o intuito de saber o que melhorou ou piorou desde a última reportagem, e o apicultor adiantou que “podemos considerar que já se fez muito”.

Segundo o jovem, numa primeira fase a autarquia disponibilizou gratuitamente, a todos os apicultores do concelho, uma armadilha seletiva com isco atrativo para as rainhas fundadoras, por cada apiário registado. Aplicou igualmente, em espaços públicos, diversas armadilhas e prepara-se, segundo o mesmo, para criar uma equipa presente dedicada a esta problemática, adquirindo os equipamentos necessários para a destruição de ninhos.

JM frisou igualmente que ninguém conhece ao certo o que é esta praga, “o que sabemos é que realmente os ninhos têm aumentado. Sabemos que cada vez mais se torna impossível preservar uma fruta na árvore, até que esta esteja madura para ser colhida, sem que esteja a ser comida pelas vespas. Sabemos ainda que a vida das nossas abelhas está em risco, e isso é que deveria preocupar toda a população, visto que sem elas não sobrevivemos.”

A falta de um inverno rigoroso pode ser propicio à sobrevivência da espécie, que tende a regressar mais cedo.

O empresário considera que se devia optar pelos meios de comunicação social para fazer o alerta das pessoas, por forma a estas estarem alerta sobre o assunto, e para facilitar a reportação de ninhos.

Atualmente o apicultor considera que as vespas ainda não se fazem notar nos apiários, pois ainda estão a sair da hibernação, “o problema será daqui a 1 mês e pouco, altura em que estas precisam de capturar as nossas abelhas para seu alimento. As vespas conseguem dizimar apiários inteiros, mas vamos tentando proteger ao máximo as abelhas porque gostamos do que fazemos. Vamos multiplicando as colmeias no ano seguinte para manter os efetivos, mas como é normal a produção reduz”, finalizou o jovem.

Texto: Ana Castro

Fotos: cm pombal/cm nelas