Foi um dia emotivo, especialmente para a família, o vivido com as cerimónias que assinalaram os 90 anos da morte de Adriano Soares Telles do Valle, fundador d’A Brasileira, e que ocorreram no passado sábado, em Alvarenga, de onde nasceu em 1859. Do programa fez parte a trasladação do seu corpo de Lisboa para aquela freguesia (conforme desejo expresso no seu testamento), onde, de forma muito singela, foi prestada uma homenagem pelos seus descendentes.

A solenidade iniciou-se no cemitério paroquial, com a intervenção de alguns membros da família, do presidente da Junta de Freguesia de Alvarenga, Luís Filipe Teles e da presidente da Câmara Municipal de Arouca, Margarida Belém. A Sociedade Filarmónica Santa Cruz de Alvarenga, fundada por Adriano Telles há 120 anos, também se associou ao momento.

O acontecimento contou ainda com uma celebração eucarística na igreja paroquial de Alvarenga e uma palestra proferida pelo seu bisneto e trineto, João Bernardo Galvão Teles, no centro cultural de Alvarenga, sob o título de Adriano Telles: do «obscuro lavrador» ao «propagandista do café brasileiro», a vida de um prático.

Na palestra o seu bisneto começou por referenciar as publicações feitas sobre a vida de um homem empreender e negociante, que, como realçou, “se considerava um prático”, caracterizando-se também por ser extremamente pragmático, com capacidade de realização, adaptando-se às circunstâncias”, numa intensa e preenchida vida.  Foi produtor de café em Minas Gerais e fundador de diversas sociedades, entre as quais as famosas “A Brasileira”, com estabelecimentos em Lisboa (Chiado e Rossio), Porto, Braga, Coimbra e Sevilha. Um homem versátil que se interessou por áreas tão distintas como o jornalismo, a música, tendo exercido cargos políticos, e sido sócio de diversas agremiações, com especial relevância, como já foi referido, na fundação da Banda Musical de Alvarenga.

João Bernardo Galvão Teles de um ainda nota para um requintado gosto artístico que possuía, não esquecendo a promoção da sua terra natal e a sua ação altruísta na ajuda aos mais desfavorecidos. O palestrante, neste capítulo, destacou o seu “sentido de partilha extraordinário” para além “do espírito de serviço público”.

A enorme família (teve vinte filhos de dois casamentos), naturalmente orgulhosa do seu legado, compareceu em elevado número a esta cerimónia, que se constituiu também num momento de partilha e de confraternização.

Texto: OPB. Fotografias: José Roldão/Mayã Rosadas/JFA.