O Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca, fundado em 1972, com o objetivo de recolher, preservar e representar a cultura, história e identidade do povo Arouquense, comemora, este ano, 50 anos de existência.  Deste modo, o Discurso Directo decidiu entrevistar a sua figura mais proeminente, o Presidente António Teixeira, que deixou o seu testemunho relativamente ao percurso traçado durante a sua presidência, os maiores obstáculos que enfrentam e os objetivos para o futuro.

Orgulho no percurso traçado

António Teixeira confessa que sente muita satisfação e orgulho no caminho traçado até hoje, admitindo que desde o primeiro momento se têm esforçado por manter a autenticidade, principalmente na dança e no trajar. Salientou que o segredo para a qualidade e longevidade da instituição é poder contar com uma boa equipa. “Tudo o resto vem por acréscimo, somos apaixonados pela etnografia e pelas tradições da nossa terra e, por isso, tudo o que fazemos é sempre com o maior amor e carinho. É esse o segredo.”

O maior obstáculo que aparentemente enfrentam é conseguir perdurar no tempo e resistir à mudança. Para conseguirem atingir este objetivo tentam manter-se unidos trabalhar ao máximo.  António Teixeira ressalva ainda o trabalho e as mudanças feitas, desde 2013, com a integração da instituição na Federação do Folclore Português, situação que se afigura como bastante benéfica para o grupo. No entanto, para o dirigente há sempre algo a melhorar.

Apoios insuficientes

AT, relativamente aos apoios que a associação recebe, confessou que são alguns e que estes são atribuídos pelos autarcas locais, todavia, admitiu que para as atuações que organizam ao longo do ano, e, por vezes, até no estrangeiro esses apoios “não são suficientes”. Segundo o mesmo, têm conseguido levar este projeto para a frente com a ajuda de todos os seus membros, e dos elementos da família destes.

O presidente acabou por confessar que a pandemia, apesar de ter vindo dificultar a vida das instituições, não representou um grande obstáculo para o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca, visto que para o mesmo este “é uma família”.  Como durante a altura pandémica não lhes foi permitido fazer ensaios nem atuações, aproveitaram para descansar, e melhorar o processo técnico estipulado pela Federação. “Participamos em desafios de fotografia, lançados pela Federação, e ainda editamos 2 vídeos que promovem o nosso trabalho.” Deste modo nunca pararam totalmente.

Maior Dificuldade

Para o dirigente outra das maiores dificuldades que sentem é a falta de interesse dos jovens pelas tradições, que segundo o mesmo lhes deveriam estar a ser incutidas desde muito cedo, até mesmo “na escola para que a identidade das nossas gentes, a história do nosso povo perdure no tempo.”

O presidente prevê que o futuro possa ser complicado visto que “um dia quem perguntar aos mais novos como era nos tempos dos bisavós, ninguém saberá dizer ao certo”.

Papel do Folclore na identidade de uma região e de um povo

António Teixeira acredita que o que a sua associação faz é perpetuar práticas culturais que “nos ligam aos nossos antepassados e à nossa terra”, situação que permite manter viva uma identidade cultural, num mundo cada vez mais globalizado.

“No fundo, mantemos vivo um arquivo que nos ajuda a compreender quem somos e de onde viemos enquanto sociedade, algo que nos parece cada vez mais pertinente. Dá-nos uma perspetiva mais alargada do nosso tempo. As pessoas tendem a esquecer as dificuldades passadas, em especial, por gerações de há 100 anos. Contudo o folclore ajuda-nos a colocar em comparação com o nosso tempo esse modo de vida, além de evitar o esquecimento de tanta sabedoria popular, que em muito explica o que somos. É um património que não podemos perder”, reforçou.

As atividades comemorativas dos 50 anos da associação, e segundo adiantou ao Discurso Directo o presidente associativo, já estão a ser preparadas desde setembro de 2021.” São 12 atividades, representadas uma por cada mês, iniciando em outubro de 2021 e terminando em outubro deste ano de 2022.”

Um dos objetivos da presente direção é conseguir fazer entrar mais gente para o grupo, pois sabem que é uma grande necessidade, “tanto para a dança como para a tocata.” O presidente referiu ainda que as instalações da Associação, nomeadamente o pavilhão que ocupam, já tem 45 anos, sendo que as últimas remodelações que sofreu foram há 20 anos, desse modo já são necessárias novas pinturas e uma nova cobertura.

No entanto AT confessou que a Associação, por si só, não tem capacidade financeira para fazer estas obras, neste momento, afirmando que a autarquia pode ter aqui um papel preponderante, pois conhece o dinamismo da Associação.

“O que temos vindo a fazer é a manutenção ao existente, e criar condições para fazermos tudo aquilo que precisamos para as nossas atividades, porque felizmente a Casa do Povo tem umas instalações relativamente boas, muito melhores que há 20 anos atrás”, concluiu.

Próximos Eventos da Associação

A convite da Federação do Folclore Português, o Rancho da Casa do Povo vai estar na Praça da Alegria, na RTP, no dia 16 de maio a representar o concelho de Arouca.

A 28 de maio vão ser anfitriões do arraial de folclore, um evento anual que consta no plano de atividades, e se vai realizar na casa do Povo de Arouca. Estes são os convidados: Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca/ Grupo Folclórico e Etnográfico de S. Pedro da Cova – Gondomar/ Grupo Folclórico de Portomar – Mira/ Rancho Típico de São Mamede de Infesta – Matosinhos/ Grupo dos Sargaceiros da Casa do Povo de Apúlia – Esposende.

Igualmente na sede da Casa do Povo de Arouca realiza-se a 10,11 e 12 de junho o Encontro de Tocadores de Concertinas, e a tradicional Feira de Produtos Regionais.

A 17 de julho ocorre o encontro de componentes, ex componentes e amigos do Rancho F. da Casa do Povo de Arouca.

O Festival de Folclore de Arouca acontece a 6 de agosto, é o evento mais antigo da associação e tem como objetivo trazer, até a Arouca, os melhores representantes o Folclore das diversas regiões do país. Vão estar presentes os grupos: Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca/ Rancho Etnográfico de Santiago de Bougado | Trofa/Rancho Tradicional de Cinfães | Grupo sedeado em Lisboa/ Rancho Folclórico do Bairro de Santarém – Graínho e Fontaínhas | Santarém/ Rancho Típico de Santa Maria da Reguenga | Santo Tirso/ Grupo Danças e Cantares BESCLORE – Novo Banco | Lisboa.

A desfolhada tradicional vais acontecer, mas ainda não tem data definida, e, por fim, nos dias 22 e 23 de outubro celebra-se a o Festival de Folclore de Encerramento dos 50 anos, com eucaristia comemorativa. Os participantes vão ser: Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca/ Grupo Folclórico de Faro – Algarve/Rancho Típico de Esposade – Matosinhos/ Grupo Folclórico de Lorvão – Penacova/ Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega – Oeiras (Representa o alto Minho) /Grupo Folclórico das Lavradeiras da Meadela – Viana do Castelo

Texto: Ana Castro

Fotos: Rancho Folclórico Casa do Povo Arouca