Por: Vasco Portugal-Vice-Coordenador do Núcleo da Iniciativa Liberal de Arouca

É sabido que Costa tem ambições que vão para além do lugar de primeiro ministro (PM) de Portugal. A visibilidade e o prestígio associados a um alto cargo da União Europeia têm sido uma tentação quase irresistível para quase todos os nossos governantes, tendo até um PM abandonado o lugar para satisfazer a ambição de um cargo dessa natureza. Os resultados dessa escolha são conhecidos, mas não são o tema que nos traz cá hoje. 

A questão que se coloca é se Costa irá resistir à tentação de sair por motivos semelhantes se a oportunidade surgir. 

Na tomada de posse do atual governo, o Presidente da República tentou “amarrar” o PM ao lugar, acenando com o cenário de eleições antecipadas caso tal aconteça. Na reação a essa “ameaça”, Costa garantiu que nada o tirará do governo antes do final da legislatura. No entanto, um olhar atento à composição do seu governo sugere o contrário. Vejamos: 

– É sabido que existem dois fortes candidatos à sucessão de Costa na liderança do PS, que representam ideias e fações muito diferentes. Ao formar o governo, o PM decidiu colocar esses putativos sucessores em igualdade de circunstâncias, atribuindo-lhes pastas com visibilidade e para as quais não têm manifestamente competência. Um já o demonstrou porque tutelava a pasta no governo anterior e o outro vai demonstrar a falta de competência num futuro próximo, com prejuízo para todos nós. Em ambos os casos, a permanência no governo dará visibilidade a estes personagens, mas provocará perda de prestígio. 

– É também sabido que Costa gostava que o próximo líder do partido fosse uma mulher, sendo que já o disse publicamente. Olhando mais uma vez para a composição do governo, encontramos duas candidatas ao lugar de Costa. Uma recém-nomeada num cargo que não a vai comprometer. A outra reconduzida, mas com poderes reforçados e todas as condições para brilhar e ter toda a visibilidade que quiser. 

Nada contra a preocupação de Costa com o futuro do seu partido, mas será legítimo que nós – os contribuintes – tenhamos que pagar para Costa fazer de Deus com os seus potenciais sucessores?