Por: Margarida Rodrigues

Porque a 22 de abril se assinalou o Dia do Planeta Terra e porque este é maioritariamente constituído por água – não fosse o nosso planeta o Planeta Azul – sou da opinião que muito há ainda a fazer por este elemento, principalmente no que concerne à água doce, existente nos nossos rios e ribeiros. Apesar de existirem algumas boas práticas de proteção e preservação destes canais e da galeria ripícola, de que são exemplo as ações no rio Arda e no ribeiro de Gondim, há ainda muito a fazer no concelho, como um pouco por todo o país.

De facto, não raras vezes deparamo-nos com a excessiva limpeza das zonas ribeirinhas, com a plantação de vegetação que nada tem que ver com a vegetação nativa, espontânea e com o abate massivo de árvores que deveriam ser protegidas: carvalhos, amieiros, choupos e salgueiros, entre outras espécies autóctones, para não falar da construção abusiva de muros confinantes que afunila o leito dos rios e ribeiros.

A Agência Portuguesa do Ambiente, restringida à função burocrática e administrativa, vê quase inoperante a sua missão de vigilância e de prevenção, agindo quase exclusivamente no seguimento de denúncias e de reclamações…. Sem a figura do guarda-rios, muita da ação da APA se resume a uma mão cheia de coisa nenhuma…

Poucos valorizam e pugnam pela preservação natural e ambiental dos rios e ribeiros. Muitos proprietários, movidos pela ganância e ambição, esquecem-se convenientemente que as margens dos rios e dos ribeiros são de uso público, de livre acesso a todos. Muitos esquecem-se que os rios e os ribeiros têm extrema importância ecológica, física e económica, pois sustentam complexos ecossistemas ribeirinhos através de uma malha de corredores de água naturais que abrigam, alimentam e preservam uma série de espécies vegetais e animais.

As zonas ribeirinhas e a galeria ripícola sustentam zonas de drenagem natural que funcionam, ao mesmo tempo, como responsáveis pela infiltração e manutenção da água nos lençóis freáticos, regulam os regimes hidrológicos e garantem as fontes de abastecimento de água quer para fins domésticos, quer agrícolas, quer industriais.

É igualmente a vegetação da galeria ripícola que faz a limpeza da água, agindo como depuradores naturais, por oxigenação ou retenção e filtragem de materiais.

Além do inegável valor ambiental e do papel de mitigador das alterações climáticas, a galeria ripícola proporciona igualmente excelentes locais de lazer e de recreio, transformando as zonas ribeirinhas em locais estética e paisagisticamente mais agradáveis.

Por tudo o referido, cabe-nos lembrar que os ribeiros e rios são de todos, de uso comum, necessários à sustentabilidade ambiental, ao equilíbrio dos ecossistemas, que cumprem uma importante função na mitigação das alterações climáticas, que garantem o acesso à água, que preservam importantes reservas subterrâneas de água potável e constituem um legado e um património ambiental que urge deixar às gerações vindouras.

Cabe-nos também questionar, indagar e denunciar práticas que nos pareçam incorretas e que pareçam colocar em risco as zonas ribeirinhas e as galerias ripícolas.

Estejamos todos atentos e ambientalmente ativos!