Por Vasco Portugal: Vice-Coordenador do Núcleo da Iniciativa Liberal de Arouca

Numa guerra, a primeira vítima é a verdade, uma afirmação cuja autoria é habitualmente atribuída a Ésquilo, e que ouvimos sempre que as primeiras explosões se fazem ouvir.

No fim de fevereiro voltamos, infelizmente, a ouvir essa afirmação em vários meios de comunicação social. Desta vez os tambores da guerra, e as explosões que a eles se sobrepõem, estão próximos de nós, muito mais próximos do que acharíamos possível.

A velha Europa, palco de violência desde o início dos tempos, voltou a agitar-se com um dos seus conflitos ancestrais, ali na zona onde se une à Ásia e onde um velho conhecido do ocidente voltou a reclamar a hegemonia perdida por culpa sua. 

Podemos discutir o regime ucraniano e o regime russo. A comparação devia ser suficiente para escolhermos de que lado devemos estar, porque um facto salta à vista: há um invasor e um invadido, um agressor e um agredido. Parece tudo bem evidente. No entanto, há quem prefira ver as coisas de outra forma, considerando que temos de um lado a democracia liberal e plural, onde há espaço para todos os que o povo elege, mesmo que alguns sejam incómodos, estando do outro lado o herdeiro de velhos imperialismos, pouco democráticos e ainda menos legítimos. Esses, saudosos de outros regimes, inimigos de novembro, rancorosos pela queda de vergonhosos muros que lhes aniquilou as aspirações totalitárias e coletivistas com as quais o povo nunca se reviu, preferem agitar as suas bandeiras contra o seu velho ódio de estimação: a democracia liberal e o capitalismo. Ignoram as atrocidades que lhes passam à frente dos olhos, fazem de conta que não conhecem a verdadeira natureza do regime agressor, enquanto sonham com o renascimento da velha bandeira, vermelha de sangue, que em tempos oprimiu meia Europa.

Há ainda, em Portugal, quem lhes veja virtudes a propósito de uma suposta luta pela democracia, um conceito muito bizarro de democracia.  Uma guerra significa sempre um preço demasiado alto a pagar, quaisquer que sejam as razões. Mas, uma vez instalada, que sirva pelo menos para que, de uma vez por todas, caia a máscara a esses inimigos da democracia. 

Querem a paz a que repetidamente apelam? Comecem por pedir ao agressor que se retire e não à vítima que desista de se defender.