São muitas as obras que operaram uma autêntica revolução na Arouca (vila) nos últimos cinquenta anos. Se recuarmos às notícias do início do século XX então, além da grandiosidade do convento, pouco resta duma terra pequena e atrasada.

E as transformações, dum modo geral, foram bem aceites, embora tendo também à mistura algumas polémicas.

Mas vem isto a propósito da notícia deste jornal sobre as obras junto à Escola Secundária, onde à pressa, em tempo de aulas, a desculpa é o «problema de segurança na travessia de peões». Não é propriamente uma «desculpa esfarrapada», mas a verdade é que desde o início das grandes obras na Secundária os seus responsáveis, a vários níveis, nunca se preocuparam com a dita «Segurança dos peões». Se preocupassem, aquela «escadaria monumental» para o principal acesso à vila nunca tinha sido feita. Porque não se trata só da segurança dos peões: é a segurança, sobretudo, de professores e alunos, alguns muito jovens, e até dos condutores. Porque havia alternativas, aquela foi uma das tais obras polémicas, (a armar ao fino?) a par da polémica dos que teimavam em demolir o edifício do antigo colégio, que marcou a vida de várias gerações.

De qualquer modo, e porque o mal está feito, mesmo sem tomar partido, não vinha mal ao mundo se as atuais obras aguardassem melhor oportunidade. Ao fim de tantos anos, esta pressa para «proteger a travessia dos peões» só fazia sentido se o problema fosse de agora, já não tivesse tantos anos e não estivesse à vista de todos. Aliás, quem por lá passa, condutores e peões, sentem-no todos os dias. Felizmente que, salvo raras exceções; o equilíbrio e bom senso tem permitido contornar uma asneira que está bem à vista e se pretende remediar da melhor forma possível.

E ainda bem que é assim. Porque, com ou sem correrias, só é pena lamentar que só agora se tenha descoberto que o problema existe.

(A.B.)