A crise política despoletada pelo “chumbo” do Orçamento de Estado para 2022, ocorrido em outubro do ano passado, fez soar os alarmes para as consequências que o nosso país iria viver por colocar o Governo a executar um Orçamento desatualizado e em duodécimos. Neste contexto, o Presidente da República frisou, desde o primeiro momento, que as eleições deveriam ser céleres de forma a não causar mais transtorno do que aquele que foi causado pela não aprovação do vital documento na Assembleia da República. A celeridade para a marcação do ato eleitoral foi também uma preocupação transversal aos partidos com representação parlamentar, e a 30 de janeiro foram realizadas as eleições, as quais ditaram uma maioria absoluta do Partido Socialista. Serve este introito para enfatizar o facto de chegarmos ao mês de março sem que o novo Parlamento tenha sequer tomado posse, muito por culpa de um erro já anteriormente detetado em anteriores eleições no que toca aos votos dos nossos emigrantes, mas não corrigido por quem de direito! Assim, teremos mais uma repetição do ato eleitoral para eleger os deputados do círculo da Europa para poder finalmente ser encerrada a nova constituição da Assembleia da República.

Verifica-se, assim, que apesar das boas intenções e dos constantes elogios aos nossos emigrantes, com especial ênfase nas comemorações do Dia de Portugal, no momento de lhes ser dada voz, a típica e já conhecida burocracia, cria dificuldades àqueles que exercem o seu direito de cidadania portuguesa e querem ter uma palavra no futuro do seu país em tão importante momento coletivo. Esperemos, definitivamente, que com a posse dos novos Deputados e a formação do novo Governo, este embaraçoso imbróglio (que nos vai custar a todos uma quantia considerável para justamente dar voz aos nossos emigrantes) seja, de uma vez por todas, resolvido e que não se repita em próximo ato eleitoral.

Nós, arouquenses, temos uma particular sensibilidade para com os nossos conterrâneos espalhados pelo mundo, sabemos bem o quanto esta sua terra e este país à beira mar plantado lhes significa, e o quanto queremos que eles continuem a sentir-se parte de nós, que continuem a ser os nossos embaixadores e ativos valiosos na divulgação do nosso concelho e do nosso país, que continuem a honrar o legado de várias gerações empreendedoras e que muito contribuíram para as muitas conquistas enquanto sociedade. Ainda recentemente, uma delegação de Arouca do Partido Social Democrata visitou a região de Toulouse e testemunhou a enorme influência da nossa comunidade naquela região, o seu empreendedorismo, o respeito que alcançou e o seu notável espírito de entreajuda. O Vereador Vítor Carvalho deu nota da importância de reforçar os laços, recolher contributos e ideias para Arouca e para o desenvolvimento do nosso município. Também nessa comitiva, o deputado eleito Rui Vilar aguçou essa mesma sensibilidade, e terá agora oportunidade de poder ser mais um interlocutor, quer para Arouca, quer para esses Arouquenses que sentem a sua terra, mas, por circunstâncias várias, se encontram noutros países e são exemplos e uma ajuda sempre presente para os seus conterrâneos, como o caso do anfitrião, o Sr. António Capela. É pensando em exemplos como ele, que desejamos que o seu voto tenha expressão, que possa exercer esse direito sem constrangimentos burocráticos, que o seu país não os despreze e que se passe das palavras aos atos.