Os trabalhos executados pelos alunos da turma 10ºG, do Curso Profissional de Técnico de Multimédia, vai estar em exibição durante o mês de março, nas instalações da Come_Loja dos Doces Conventuais de Arouca, e na Biblioteca Municipal de Arouca.

A inauguração da exposição teve lugar no dia 2 de março, pelas 15h, na Come_Loja dos Doces Conventuais de Arouca.

Através de um texto enviado à nossa redação, a ESA expôs o surgimento do termo selfie, o que é um autorretrato, e como surgiu a ideia de realizarem estes trabalhos e esta exposição.

“O termo “selfie” surge, pela primeira vez, em 2002 quando um australiano fez um post de uma fotografia, tirada com o seu telemóvel e com a seguinte legenda: “peço desculpa pelo foco, foi uma selfie” – o plano focal da fotografia encontra-se no fundo da imagem, deixando assim o sujeito desfocado. Embora se possa afirmar que os millennials são responsáveis por um considerável número de inovações nos social media, não lhes podem ser concedidos créditos pela ideia de uma pessoa se fotografar a si mesma. Dependendo do enquadramento dado a esta mesma ideia, pode-se afirmar que o conceito de autorretrato existe há séculos. São muitos os artistas e fotógrafos que foram dando forma e consagração a esta vertente do retrato. Basta lembrarmo-nos das polaroids de Andy Warhol, do extenso trabalho de Lee Friedlander, da recriação de cenas de filmes de Cindy Sherman, dos autorretratos de Vivian Maier, ou das imagens íntimas de Nan Goldin para percebermos que, anteriormente à idade da auto-obsessão e do fenómeno global da selfie narcísica, antes até da existência de redes sociais, o autorretrato se foi estabelecendo como um relevante meio de expressão pessoal e artístico.

A primeira discussão filosófica em torno do autorretrato teve como principal interveniente o grego Plotino. Ele argumenta que este não é produzido através de atos de auto-observação em espelho, mas sim através de alienação e submersão no Eu. Uma das frases feitas da era Renascentista “todo o pintor se pinta a si mesmo”, carrega exatamente o mesmo conceito: todo o artista, mesmo que inconscientemente, impregna nas figuras por si produzidas algo de si mesmo – desconsiderando, de igual forma, o seu reflexo no espelho.

Seguindo este pensamento, os alunos do Curso Profissional de Técnico de Multimédia da ESA foram desafiados a conceber os seus autorretratos. Afastados da velocidade inerente às redes sociais que utilizam, e dos espelhos (ecrãs), que refletem as imagens altamente processadas produzidas pelas câmaras frontais dos seus telemóveis, foram convidados a não só repensar a fotografia de retrato, mas também a forma como hoje comunicam, e se auto exprimem através das imagens que constantemente partilham online”, ESA.