O Dia Internacional da Mulher celebra-se a 8 de março. Este dia é uma data comemorativa que foi decidida em 1910, sendo somente oficializada pela ONU decorria o ano de 1977, tendo anteriormente sido declarado o ano de 1975 como Ano Internacional da Mulher. Esta data simboliza a luta histórica das mulheres, ao longo de muitos anos, pela conquista de direitos iguais aos dos homens. O Dia da Mulher também existe enquanto momento de reflexão sobre a violência doméstica e o seu silenciamento, as desigualdades que ainda persistem, as atitudes e a construção duma sociedade sem desigualdades.

Ao longo da história da humanidade, mulheres e homens desempenhavam papéis sociais muito distintos. E por vários séculos, a mulher viveu numa cultura patriarcal e machista, onde o seu papel se limitava à família e à casa, sendo a responsável por todo o serviço doméstico e educação dos filhos. O homem era o patriarca, responsável por trabalhar e pelo sustento da família. As mulheres eram governadas por um homem – pai, marido, irmão mais velho ou tio. A estes sim, competia o dever da responsabilidade por elas. A mulher era alguém sem direito de escolhas. Assim a sociedade viveu por muitos anos. A revolução industrial modificou radicalmente o trabalho para os homens com a redução dos salários e a crescente necessidade de mão de obra, o que proporcionou o ingresso da mulher no mercado de trabalho, mas com salários mais baixos que os homens.              

Durante o decurso do século XIX, as mulheres começaram a contestar as desigualdades de género, no acesso ao trabalho, à remuneração, à carreira e à educação, procurando obter os mesmos direitos e oportunidades dos homens. E, de facto, a evolução da condição feminina veio a operar-se, embora tenha sido um processo lento e doloroso para elas. O séc. XX, considerado o séc. das mulheres, foi o séc. de alguma velocidade na conquista de direitos, por influência das duas guerras mundiais, a entrada em massa das mulheres no mercado de trabalho, em substituição dos homens envolvidos na função militar e a sua luta persistente e contínua. Em Portugal, só após a revolução dos cravos, o país deu os primeiros passos no que diz respeito à igualdade de género, embora continue a prevalecer uma grande dificuldade em alcançar a equidade entre os sexos.

Hoje, Portugal é um país onde a igualdade entre homens e mulheres deixou de ser uma utopia. A mulher conquistou o direito ao trabalho, à sua segurança, ao acesso à saúde, à educação e à participação política. A intervenção das mulheres na vida social, política e económica tem-se ampliado, cada vez mais, nas últimas décadas. Este processo foi longo e complicado, levando demasiado tempo para que elas se consciencializassem da discriminação a que eram sujeitas. Mas uma coisa é a solidariedade e compaixão presentes nas leis, outra bem diferente é a sua aplicação quotidianamente e a cultura dominante. Assim, a sociedade portuguesa contemporânea ainda está longe de corresponder ao ideal. As desigualdades persistem e são notórias: as mulheres continuam a ter mais dificuldade que os homens no acesso a cargos de direção e chefia, os salários são menores em seu desfavor, o desemprego no feminino é mais elevado e a violência sobre elas tem atingido proporções elevadíssimas, assim como a violação. Não obstante as desigualdades que persistem na sociedade contemporânea, há evidências do muito que já foi feito, mas também do muito que há ainda por fazer.

Atualmente, o nosso país passa por imensas dificuldades, mas a plena igualdade de género é uma questão urgente a resolver, resolução esta que não será possível, enquanto a mentalidade da sociedade portuguesa não sofrer profundas mudanças.