As eleições legislativas de 2022 determinaram uma maioria absoluta do Partido Socialista, que conseguiu vencer em todos os distritos do continente, ganhando no círculo eleitoral dos Açores e perdendo apenas no círculo eleitoral da Madeira. Ao longo desta semana, foram várias as análises detalhadas na opinião pública e publicada. Os resultados são esmiuçados e as ilações que se podem retirar da contenda são de surpresa face ao que as sondagens nos vinham mostrando. Se a proximidade entre os principais partidos, baseada num “empate técnico”, era propalada e difundida junto do eleitorado, o efeito que trouxe foi, do meu ponto de vista, num claro voto útil dos partidos à esquerda do PS em António Costa. O PSD, apesar de ter conseguido uma subida residual no número total de votos, não conseguiu “segurar” nenhum distrito, mesmo aqueles que ganhou em 2019, e tem um resultado verdadeiramente desolador perante as expetativas que estavam criadas em torno desta eleição.

Temos, assim, um parlamento completamente renovado, com um Partido Socialista hegemónico, um PSD a manter de certa forma o seu grupo parlamentar, um PCP e um BE com um grupo parlamentar extremamente reduzido (ao nível daquele que havia sido o do CDS na anterior legislatura), com o PAN a conseguir na reta final a eleição da sua líder, o Livre a conseguir um reforço da sua votação e a voltar a eleger por Lisboa e o “desaparecimento” de partidos históricos na representação parlamentar como o PEV e, principalmente, o CDS, partido fundador da democracia. Do lado dos vencedores, para além do PS, temos o Chega como terceira força política e ainda a Iniciativa Liberal, com grupos parlamentares com um número considerável de elementos e a conseguirem uma subida vertiginosa, passando de 1 para 12 deputados e de 1 para 8 deputados, respetivamente.

A responsabilidade do Partido Socialista é tão grande quanto o tamanho da sua vitória, agora que deixa de estar “amarrado” aos partidos da extrema esquerda. Estes partidos confirmam o “abraço do urso “que lhes foi vaticinado quando assinaram os acordos de formação de geringonça e quando, em outubro, votaram contra o Orçamento de 2022 que resultou neste ato eleitoral, não esperando certamente tão severo castigo. O país carece de políticas de espírito reformista e o PS tem aqui uma soberana oportunidade aproveitando, inclusivamente, os dinheiros europeus do famigerado PRR.

Para Arouca, os desafios continuam a ser grandes e as respostas que as pessoas necessitam continuam a ser muitas. Com esta vitória do PS nas eleições legislativas, esperamos contar com o poder de influência do executivo camarário. Até porque, a propósito de um documento estratégico fundamental como a Estratégia Municipal de Saúde, fica claro que deve desde logo estar inscrito e ser reivindicado a construção de um novo Centro de Saúde que se coadune com as novas valências que se perspetivam no âmbito do PRR e substitua um edifício que se encontra “sobrelotado”, sem espaço para se conseguir expandir. Para esse e outros objetivos, os arouquenses souberam contribuir para aquela que foi uma das grandes notícias da noite: Rui Vilar foi eleito Deputado à Assembleia da República. O reforço da votação no PSD face à última votação para as legislativas, em 2019, demonstra que os arouquenses quiseram ter um interlocutor privilegiado no centro da decisão política nos próximos 4 anos. Como já o referi noutro fórum, é um político com talento, com provas dadas na política, tem capacidade e irá certamente honrar o legado de Arnaldo Lhamas e, mais recentemente, André Almeida. Todos lhe desejamos um excelente mandato e que, sabemos, irá certamente fazer sempre parte da solução.