Por: Eduardo Costa, jornalista, presidente da Associação Nacional da Imprensa Regional

Aquele homem, a rondar os 70 anos, foi ao centro de vacinação para solicitar um certificado. Já tinha as doses de vacina tomadas e precisava do papel para aceder a restaurantes e outros locais. A funcionária explicou muito bem o que o homem tinha que fazer para obter o certificado de vacinação. “Vai ao seu telemóvel… etc., etc.” O homem tirou do bolso o telemóvel e mostrou. “Este meu telemóvel não tem essas coisas…”. A funcionária, muito despachada (ou a despachar…) sugeriu que o homem tratasse com algum familiar ou amigo que tivesse esse género de telemóvel, onde extrairia a certidão que pretendia. O homem, muito educado, insistiu que só pretendia o “papel que prove que estou vacinado”. “Mas, volto a insistir, peça ajuda a um familiar, a um amigo!” O homem lá confessou que os filhos estavam emigrados e os seus amigos também não tinham “desses” telemóveis. “Só precisava que me dessem o papel”, insistiu o humilde homem.

De nada valeu. O desanimado homem agradeceu e, cabisbaixo, deu meia volta.

Os comentários dos empregados do centro de vacinação não foram muito felizes. “Vejam só!, queria que fôssemos ali ao computador e imprimir o certificado! Há pessoas com tamanha lata!”

Pois é. Vai-se lá perceber porque razão uma parte, ainda considerável da população não sabe lidar ou não possuem aparelhos tecnológicos para aceder às plataformas digitais. Sobretudo as pessoas de mais idade.

Lamentável a insensibilidade para a realidade dura de muitos cidadãos, no caso, excluídos a larga percentagem de cidadãos ainda inadaptados à era digital.

Foto: Idealista