Entre as antigas populações rurais, o fevereiro gozava de má fama. Sobretudo porque era inconstante e dificultava os trabalhos agrícolas. Alguns provérbios apresentam-no como «rabugento», «rezingão» e «rabudo». Por isso, «punha a mãe ao soalheiro e depois corria-a à pedra». Ou seja: a seguir a uma risada de sol uma forte bátega de chuva e granizo. Era e é «o mais curto mês e o menos cortês». De tal raça, que «trocou dois dias por uma malga de papas». A imitar, vejam só, certa raça de gente bem conhecida.

Mas, enfim, nem tudo era mau e, ainda segundo a sabedoria popular, no «primeiro dia jejuarás, no segundo guardarás e no terceiro vais ao S. Brás». S. Brás, o padroeiro das gargantas, que se comemora no dia três e, em Arouca, no dia dois. Voltou a acontecer este ano. Sem o brilho de antigamente, quando era a primeira grande feira do ano, local de encontros e oportunidade única para comprar roupas, calçado, alfaias agrícolas e utensílios necessários à vida de todos os dias. E até pequenas lambarices. Além, é claro, onde entre os mais jovens, também não faltavam brincadeiras a anunciar o Carnaval que aí vinha. Isto sem esquecer os animais, os porcos para rechear as salgadeiras, muitos «vermelhos», vindos do Alentejo, os cavalos e outra bicharada doméstica que se comprava ou vendia.

Estamos em 2022 e do passado restam as recordações de quando gente a pé, vinda das terras em redor, enchia as estreitas e tortuosas ruas da vila a 2 de fevereiro. Mesmo assim, a feira continua a ter os seus encantos, as árvores, as frutas, as hortaliças, as bijutarias, as pequenas coisas que numa terra diferente, profundamente diferente, continuam a ser necessárias ao dia-a-dia.

Desta vez com bom tempo, sem o tal fevereiro que «põe a mãe ao soalheiro», e as suas rabugices.

Resta saber se é bom ou mau ser assim…

(A.B.)