Por: Vasco Portugal, Vice-Coordenador do núcleo da Iniciativa Liberal de Arouca

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) foi uma das principais conquistas do nosso regime democrático.

Qualquer português com conhecimento mínimo do nosso passado recente, independentemente das suas convicções políticas, concordará com esta afirmação.

Os portugueses passaram a ter cuidados médicos garantidos, independentemente da sua capacidade de os pagar, sem depender de caridade nem de favores, “pagos” de forma mais ou menos informal.

As tecnologias dispendiosas associadas aos cuidados de saúde e a constante desorçamentação do SNS, aliadas à dificuldade de atrair profissionais de saúde qualificados, principalmente para os distritos do interior, cada vez mais desertificados, e pouco atrativos para quem quer fazer carreira, tornaram este serviço público cada vez mais ineficiente. Se juntarmos a estes fatores a má gestão crónica da coisa pública no nosso país, e o elevado grau de profissionalismo que caracteriza a maioria das instituições privadas que se dedicam a esta atividade, temos a explicação para o número cada vez maior de portugueses que, por vezes com grande esforço financeiro, recorre aos seguros de saúde e aos hospitais e clínicas privadas.

O SNS não é gratuito!

Custa cerca de onze mil milhões de euros por ano aos contribuintes que, por já não confiarem neste modelo, gastam mais algumas centenas de euros do seu orçamento familiar todos os anos para obter, nos prestadores privados, os serviços que já pagam ao Estado e dos quais nem sempre conseguem usufruir por falta de resposta.

De nada adiantam os excelentes serviços do IPO se, a montante, os cuidados preventivos não forem eficientes na deteção de doenças que podem ser facilmente tratadas numa fase inicial, mas se tornam                                 incuráveis se detetadas tarde demais.

A maior exigência dos utentes é um bom sinal. Depois da fase em que víamos o SNS como uma dádiva do Estado, acima de qualquer crítica, entramos na fase em que percebemos que um serviço que tem um custo tão significativo para os contribuintes, tem que dar em troca uma resposta à altura. Não sendo essa expectativa correspondida, deve ser dada liberdade aos cidadãos para escolherem prestadores alternativos sem que para isso sejam obrigados a pagar dois sistemas: um que não usam, porque não dá resposta em tempo útil, e outro que dá resposta, que muitas vezes está mais próximo e se adapta à realidade de quem trabalha e tem horários condicionados.

Dizer isto não é atacar o SNS nem duvidar da qualidade dos seus profissionais, muito pelo contrário, devemos enaltecer a sua capacidade de sacrifício e dedicação a uma atividade muito exigente.

O país tem diversos equipamentos para prestação de cuidados de saúde à população, distribuídos por todo o território, ainda que, infelizmente, em menor número no interior. Uns são públicos outros são privados, mas todos existem para o mesmo fim: prestar cuidados de saúde. Cabe a quem governa ver todo este conjunto de valências e equipamentos como um todo, independentemente da sua natureza pública ou privada e pensar num verdadeiro serviço Nacional de saúde que conte com todos: todos os utentes, todos os contribuintes e todos os prestadores, sejam eles privados ou públicos, tendo a capacidade de os integrar e colocar ao serviço do povo português em vez de se refugiar em velhos dogmas ideológicos que nada dizem a quem precisa de cuidados de saúde.

A liberdade de escolha e o acesso ao tratamento mais rápido, mais próximo e mais eficaz é um direito e deve ser uma exigência de todos.