Por: Rosa Morais

Vivemos em pandemia há cerca de dois anos, pandemia esta que tem provocado vários problemas a todos os seres humanos, em particular aos mais velhos, às crianças e aos jovens. Alguns destes problemas podem mesmo ser irreparáveis.

A pandemia e os consequentes confinamentos têm gerado sentimentos de tristeza e solidão e trazido importantes desafios à sociedade e às famílias, com repercussão no desenvolvimento e comportamento infantil, cuja dimensão ainda não é conhecida na totalidade. Também poderá haver algumas repercussões na saúde mental devido às preocupações face à própria doença, às incertezas sobre o contágio e à letalidade, bem como às medidas instituídas para minimizar os seus impactos, como o isolamento e o distanciamento social. No início, as escolas fecharam de um dia para o outro, forçando a interrupção do convívio e socialização entre si, obrigando as crianças e os jovens a ajustarem-se, de forma abrupta, às novas regras e realidades com aulas à distância. Sabemos que o contacto físico e a socialização são fundamentais para o bem-estar do ser humano, particularmente para as crianças, até por serem mais vulneráveis, podendo estas mudanças nefastas condicionar negativamente o seu desenvolvimento social, cognitivo e emocional.

 As mudanças repentinas das rotinas diárias, assim como a permanência em casa, a limitação de atividades ao ar livre, o isolamento social, a falta de atividade física, podem tornar as crianças mais agressivas e impulsivas. Um ambiente familiar favorável aos afetos e compreensão é imprescindível para que as crianças criem modelos positivos e cresçam de forma harmoniosa. A pandemia pode ter impactos individuais, mas também causar perturbações no convívio familiar, na saúde dos pais e cuidadores, ter impacto nas suas economias, com dificuldades financeiras decorrentes do desemprego e perdas de rendimentos, assim como no aumento da violência doméstica, afetando as crianças e os jovens.

 Da mesma forma que a família e a escola desempenham um papel crucial na aprendizagem e crescimento das crianças é, sem dúvida, na escola e nas suas interações que a criança se liberta da família, aprende mais sobre si e sobre o mundo, conhece novas ideias e novas formas de comportamento.  É também na escola que as crianças e jovens se confrontam com situações adversas, sendo obrigados a soluções e a desenvolver capacidades de adaptação. Esse processo é essencial para o seu desenvolvimento social e cognitivo.   

A escola ajuda também a detetar, de forma precoce, casos de negligência ou violência familiar, colaborando na proteção dos mais novos. O encerramento das escolas originou um grave prejuízo, apesar de todos os esforços dos professores e de toda a comunidade educativa, para que a aprendizagem continuasse à distância, sendo as crianças mais novas e as mais desfavorecidas as mais prejudicadas. As mais novas necessitam de experiências mais concretas e interativas para consolidar conhecimentos, as mais desfavorecidas por terem menos acesso às tecnologias, à informação e à supervisão dos adultos. Desde o início da pandemia, mesmo após o regresso às aulas, as relações sociais, as partilhas, o contacto físico e as brincadeiras entre pares têm sido limitadas, pois os parques infantis foram encerrados, diminuíram as festas e convívios, assim como as atividades não curriculares, passando as crianças e jovens a estar tempo excessivo nas novas tecnologias para encurtar distâncias, prejudicando a saúde física e mental.

 Neste período difícil em que vivemos, os pais têm tarefas acrescidas, não podendo desvalorizar as reações de insegurança, agitação e insegurança dos seus filhos, esclarecendo as dúvidas, sempre com diálogo baseado na verdade e de acordo com a sua compreensão.             

Foto:        https://vejario.abril.com.br/coluna/fabio-barbirato/pandemia-depressao-jovens/