Por Valter Cruz Coordenador do Núcleo da Iniciativa Liberal de Arouca

Chegados neste caso a 2022, e entre desejos e pedidos para o novo ano que se avizinha, faz-se, normalmente, uma seleção das palavras mais badaladas de 2021. No meu caso, optei por: resiliência e empreendedorismo

Independentemente do tempo, meio, contexto ou local, lá estávamos nós a ouvir: “tens que ser resiliente no trabalho, resiliente na vida, resiliente na e com a família, resiliente com os amigos, resiliente com o fim da pandemia, resiliente com os teus impostos, resiliente com o aumento do custo de vida, resiliente com os teus governantes, resiliente, resiliente…e, até no limite, resiliente com a resiliência. Assim, neste contexto podemos dizer que a palavra “resiliência” significa: termos capacidade para superar e/ou de recuperar das adversidades. Empreendedorismo pode definir-se como uma atitude ou iniciativa de fazer, dinamizar ou desenvolver ações ou atividades de forma diferente, esperando obter resultados positivos e também eles diferentes. Assim, conjugar as palavras “empreendedorismo” e “resiliência” juntas na mesma frase, é quase a definição de um resiliente intensivo.

Será possível sermos mais resilientes e, ao mesmo tempo empreendedores, com tanta resiliência que nos pedem?

Faremos agora o exercício de enquadrar ambas as palavras no contexto político actual. Esta escolha prende-se obviamente com a importância do ato eleitoral de dia 30 de janeiro, do qual todos esperamos, seja decidido o governo que nos irá governar no próximo mandato.

Usando um número redondo e recuando 40 anos, em termos políticos fomos governados apenas por 2 forças políticas: PS e PSD, com maior tempo de governação PS. Desta forma afinal, uma das palavras de 2021 está nos genes dos Portugueses há 40 anos. Se não é resiliência, de que forma definimos a nossa capacidade de acreditar, superar e/ou recuperar das adversidades a que fomos sujeitos de forma mais ou menos intensiva nos últimos 40 anos? De que forma justificamos a nossa estagnação ao longo destes 40 anos, sendo anos após ano ultrapassados por outros países, maioritariamente de leste, arrastando-nos desta forma para a cauda da Europa, senão através da nossa capacidade de resiliência?

Felizmente vivemos numa democracia e é verdade que os eleitos governaram por terem sido escolhidos pela maioria dos Portugueses. Mas, também é verdade, que não podemos fazer as mesmas escolhas, e a mesma coisa, esperando resultados diferentes. Neste enquadramento, tivemos pontualmente apoios governativos para garantir maiorias fossem elas PS ou do PSD dando desta forma a possibilidade a outras forças políticas de fazer a diferença. E o resultado, mesmo assim, não foi diferente. É de referir, em meu entender, que poucos ou nenhum outro governo, iniciou funções em condições tão favoráveis como em 2015. E mesmo assim conseguimos, comparativamente em termos europeus, ficar cada vez mais no fundo da tabela.

Estaremos assim a ser resistentes resilientes, empreendedores seletivos, ou ambos?

Assistimos, principalmente nos últimos 6 anos, a um discurso e apelo políticos de mudança, resiliência, empreendedorismo, aposta em novas tecnologias, novas formas de fazer, agir, pensar, etc. No entanto, politicamente, o apelo empreendedor do governo aos Portugueses é resistentemente resiliente e está fechado numa gaveta (daquelas que todos temos e não sabemos da chave). Não nos dizem para votar diferente, não nos aconselham a escolher diferente, não nos apresentam ideias que conduzam a resultados diferentes, não nos pedem para mudar ou sequer ser agentes da mudança. Pedem-nos muito, mas, para não sermos politicamente resilientes e sim acomodados ou ainda, para empreendermos de forma seletiva, excluindo a política da nossa capacidade de empreendedorismo.

Para sermos empreendedores políticos, não precisamos de inventar a roda. Porque temos que insistir em fazer mal ou inventar para ficar mal feito, se podemos simplesmente olhar para o que fazem e bem os nossos vizinhos? Copiar-colar o que está bem feito e adaptar se necessário, é uma decisão muito inteligente e empreendedora.

Politicamente, temos assim em Portugal uma oportunidade de sermos resilientes e empreendedores dando oportunidade à Iniciativa Liberal e ao Liberalismo e verificar que o mesmo funciona.

O Liberalismo funciona, porque tem provas dadas em vários países europeus, porque esses mesmos países nos ultrapassaram de forma muita rápida começando muito atrás, porque ainda não teve oportunidade de ser um ator principal na mudança e, principalmente porque é a escolha mais equilibrada. Assim, a Iniciativa Liberal é a solução que, tendo uma votação que lhe permita ter mais voz, e mais poder de decisão parlamentar num futuro governo, a escolha que nos permitirá passar de resilientes e empreendedores seletivos a indivíduos 100% livres e seguros de que as suas escolhas, ações ou opções não sejam condicionadas ou limitadas de qualquer forma.

Arouca não é diferente. Ao longo destes anos escolheu maioritariamente igual e obteve um resultado à imagem do país: igualmente mau. Podemos e devemos também em Arouca dar oportunidade ao Liberalismo e à Iniciativa Liberal de fazer diferente. Não sejamos Arouquenses resistentes resilientes e empreendedores seletivos, vamos sim garantir que a Resiliência e o Empreendedorismo políticos dos Arouquenses no dia 30, vão ser as primeiras bases para o Liberalismo e a Iniciativa Liberal fazerem a diferença política pela positiva em Arouca.

Temos assim dia 30 de janeiro que, massivamente, ser empreendedores políticos e ser bastante resilientes na procura de propostas e políticas diferentes, acabando ou deixando de parte a resiliência e o empreendedorismo seletivos. Desta forma, ao escolher diferente, ao dar oportunidade à Iniciativa Liberal de fazer a diferença e, ao contribuir para um Empreendedorismo e Resiliência na mudança política, poderemos ambicionar resultados positivamente diferentes.