Clube encarnado venceu por 0-2 mas com exibição a desejar

Este que era o quarto jogo de Veríssimo sob o comando da equipa principal do Benfica deu a certeza, a quem tinha dúvidas, que os encarnados não vão querer perder terreno para o FC Porto e Sporting. O resultado favorável ao Benfica por terras arouquenses, que vinha de um empate em casa com o Moreirense, afigurou-se importante.

No primeiro tempo Darwin Núñez abriu o marcador ao concretizar uma grande penalidade, e já quase no final Gonçalo Ramos tranquilizou os adeptos de um Benfica que se estava a pôr cada vez mais a jeito.

Junto à Serra da Freita, foi o resultado imperativo e necessário para um Benfica que vinha de um empate caseiro com o Moreirense. Porém, o aspeto exibicional tem naturalmente de melhorar. Não foi uma vitória tranquila, e o marcador só teve outra forma na reta final.

O Arouca entrou no jogo tudo menos motivado, talvez pelo número de jogadores lesionados como Fernando Castro, Sema Velázquez e Campi, alguns atletas ainda indisponíveis devido à Covid-19, ou porque Marco Soares que se encontra, ainda, ao serviço da Cabo Verde na CAN (Campeonato Africano das Nações).

No histórico de encontros o Benfica apenas perdeu contra o Arouca uma vez no Estádio de Aveiro, na época 2013/2014, e sofreu apenas um empate, no entanto, desta vez, em 2022, nas bancadas encontravam-se poucos adeptos encarnados, aproximadamente 1000, bastante menos que os esperados.

Os primeiros 20 minutos tiveram uma energia alucinante, principalmente do lado do Benfica, todavia, passados 20 minutos, a intensidade baixou consideravelmente.

Logo a abrir Darwin tem uma chance perfeita para adiantar as águias, ao ultrapassar Vítor Braga e a ganhar o ressalto com o mesmo, após essa ocasião Quaresma protege o Arouca e evita que o uruguaio finalizasse com eficácia. O Arouca estava, nesta altura, com dificuldades em sair com bola apesar da sua vontade em esticar o jogo.

Basso aos 24`foi decisivo para os amarelos ao realizar um corte com precisão, Lázaro tentava furar a defesa arouquense pela direita e faz um cruzamento teleguiado para Yaremchuk, todavia, o brasileiro estava no local correto à hora indicada, para aliviar as emoções.

De notar que o relvado do Estádio Municipal de Arouca continha vários terrões levantados o que dificultava bastante a eficácia dos jogadores.

Chegávamos há meia hora de jogo e, finalmente, o Arouca conseguiu respirar com posse de bola, tentando conseguir mais oportunidades. Aos 27`minutos, o suspeito do costume, tenta, mas não concretiza, Bukia perde a bola para Grimaldo após uma jogada bem construída da equipa arouquense. Grimaldo acaba por perder o lançamento para Thales.

Chamado a marcar o livre assinalado, Grimaldo é travado com facilidade por Vítor Braga, devido á facilidade da trajetória do remate.

Pénalti é assinalado devido à falta de Thales sobre Darwin, o ponta de lança uruguaio tenta passar por João Basso e cai, no preciso momento em que Nuno Almeida assinala a penalidade. Decisão que foi bastante contestada pelos adeptos e jogadores arouquenses, no entanto, o latino não exita e faz a bola entrar junto ao canto esquerdo. Foi o 20º golo do sul americano neste campeonato.

Grande penalidade também assinalada para o FC Arouca devido a uma falta sobre Arsénio, João Basso desperdiça a oportunidade, e de seguida o avançado de Esposende, na recarga, remata para fora.

Antes do intervalo houve tempo para Álex Grimaldo ser amarelado, e num lance de perigo, na área do Benfica, Bukia não pontua e Davis Simão remata por cima

Desperta o Gigante da Freita

Ao abrir o segundo tempo Adílio Santos recebe cartão amarelo devido a uma falta bastante dura sobre Otamendi, situação que levou mesmo que o internacional argentino necessitasse de ser assistido.

Após uma boa jogada do clube de Lisboa protagonizada por João Mário e Rafa, ao minuto 48`, o FC Arouca consegue aliviar.

Logo de seguida Quaresma mostra-se decisivo a evitar a concretização de um cruzamento atrasado de Darwin. Leandro também dava sinais de esgotamento físico e acabou por ser substituído por Pedro Moreira.

Ao minuto 53` o jogo do Arouca aparentava estar com mais fluidez e Darwin assume-se como a âncora no centro do ataque encarnado, Everton assume papel idêntico à esquerda e Rafa à direita.

Rafa cruza para defesa fenomenal de Vítor Braga, o português remata cruzado, dentro da área, do lado direito, todavia, o guardião dos arouquenses evita, de forma estupenda, o 0-2. Instantes mais tarde o Benfica tem a sua melhor oportunidade após o golo e a chance de Darwin aos 9 minutos, no entanto, não era o dia de Everton que remata em zona frontal e a bola sai um bocado ao lado. Arouca começava a dar cada vez mais sinal de vida, numa altura em que Antony tentava furar pela defensiva encarnada, mas Paulo Bernando corta-lhe as asas.

Após Weigl ter sofrido falta e ser assistido, acabando por ficar com a cabeça ligada, ocorrem uma série de substituições. Ao minuto 72`quase que se desenhou o empate para o Arouca, quando o insatisfeito André Bukia remata de pé esquerdo, mas para desvio de Vlachodimos.

Para desespero dos adeptos encarnados o Arouca tentava encostar cada vez mais o Benfica “às cordas”, e estes, ao minuto 78`, já reclamavam com a sua equipa.

De rajada e de seguida Eugeni e Arsénio tentam a sua sorte, o primeiro por livre perigoso e o segundo em remate cruzado, mas Vlachodimos defende o remate do espanhol e viu o cruzamento do Português sair ao lado.

Os oitenta minutos foram “o tempo dos horrores” para o Benfica que levava “tiros” de Arouca de tudo quanto era lado, Bukia remata forte, mas o guardião as águias, dando uso à elasticidade, faz a espargata e nega com rapidez. Por volta do minuto 85`o Benfica fica mesmo sem bola e à mercê dos Arouquenses, que só queriam tentar empatar.

Nos minutos finais o clube lisboeta tentava “segurar-se”, e Nuno Almeida acaba por dar mais 8 minutos de compensação. Logo de seguida Quaresma vê cartão amarelo por jogo perigoso.

Contra a maré, o algarvio Gonçalo Ramos marca aos 90+2, num desvio. Muitas facilidades dadas pela defesa do FC Arouca ao avançado de 20 anos. Benfica acaba por negar o óbvio o golo do Arouca.

Após isto, os encarnados, esperaram tranquilos pelo final da partida com posse de bola.

Texto: Ana Castro