Neste final de ano de 2021 importa, como é habitual em vésperas de passagem de ano, fazer um balanço do ano que finda, refletindo sobre o que aconteceu de bom e de menos bom e o que se planeou que não chegou a ser concretizado.

Completos dois anos desde que foi decretada a pandemia pelo novo coronavírus, muito em Arouca, nas freguesias, nas famílias e nas pessoas, a título individual, mudou e algumas das carências da população foram expostas. As freguesias limítrofes denunciaram a quase ausência de rede de transporte público, a falta de cuidados médicos, dificuldades na assistência, o aumento da solidão e o sentimento de isolamento.

Ao nível económico, as empresas tiveram de se reorganizar, cortar despesas e de reorientar os seus serviços. Também as famílias sentiram esta pandemia, quer devido à perda de rendimentos, quer à dificuldade em manter as rotinas diárias dos filhos.

As mudanças sempre geraram medo, ansiedade e desespero e neste quadro pandémico, o contexto é ainda mais tenebroso porque expõe o ser humano ao seu maior dilema: a sua fragilidade enquanto ser vivo e enquanto espécie, independentemente do conhecimento tecnológico e científico que possua…. Somam-se às patologias diretamente provocadas pelo vírus as de foro mental: as crises de identidade e as depressões. Infelizmente, este ano, de 2021, foram vários os que nos deixaram muito precocemente, por suicídio, cancro, doenças coronárias, etc. Essas perdas são impossíveis de recuperar…

Se ao nível da saúde pública, da economia e do convívio social este ano foi sombrio, também o foi ao nível político, com lideranças deficitárias, que nos surpreenderam pela negativa em situações de despudor, de falta de responsabilidade, de humanidade e de carácter… Tristes e revoltantes também os inúmeros escândalos de corrupção – caso Sócrates – que mancham a classe política que deveria ser exemplar na gestão do dinheiro público, e que revelam a promiscuidade entre a governação e a banca, o setor imobiliário – veja-se Ricardo Salgado, Joe Berardo, João Rendeiro e muitos outros… Nem o futebol fica alheio à teia criminosa…

A Justiça também não ficou bem no quadro: poucos magistrados, divididos por fações, sentenças de Ivo Rosa que nos deixam perplexos e nos revoltam, e o coitado do Rui Pinto que está a colaborar com a PJ ainda em prisão domiciliária…

A nível ambiental, poder-se-á ter dado passos irrecuperáveis com a aprovação de concessões de exploração de lítio… A nível mundial, a desflorestação da Amazónia…

No quadro europeu paira a desunião na União Europeia… Perdeu-se a Inglaterra… Há a perda drástica da população de cultura cristã e ocidental… Há a crise dos refugiados.

A China continua a expandir-se, a ganhar terreno, sub-repticiamente, talvez com a conivência dos governantes que hipotecam os seus países. Da China, continuamos a saber o que eles querem que se saiba. Há um bloqueio unilateral chinês, intransponível e tacitamente aceite pela comunidade internacional.

Os pobres estão cada vez mais pobres. África está por sua conta e risco, abandonada nesta corrida pela sobrevivência, e não apenas pandémica…

São tantos os problemas que devemos refletir e mudar comportamentos. Temos de ser mais responsáveis e ativos, também do ponto de vista político, reivindicando pelo bem comum, cumprindo os deveres para com a família, a sociedade, o país e o mundo.

É tempo de mais uma vez renascer das cinzas, redescobrir o que de melhor em nós há e reerguer a cabeça…É nas adversidades se descobre a força que sustenta a humanidade e nos impele a seguir em frente, independentemente do que está por vir e que será sempre desconhecido!

Bom Ano de 2022!

Texto de : Margarida Rodrigues