Como Arouca não conseguiu preservar as «arouquesas», ainda recentemente se realizou para os lados da serra um concurso com prémios miseráveis, agora dedica-se aos cogumelos, «colheita, consumo e preservação». Coisas importantes, que bem podem influenciar a gastronomia local, embora, como se sabe, «a grande aposta seja na posta» do lombo dum mamífero maravilhoso, que outrora ocupava grandes espaços e agora apenas quase só serve de bandeira, porque Arouca não soube ou não quis tomar as medidas certas e preferiu os «folclores» e os louros do passado.

Mas, com ou sem arouquesas, a verdade indesmentível é que a afluência de turistas ou simples visitantes de fim-de-semana está em alta e provam-no, sem margem para dúvidas, os ajuntamentos às portas dos restaurantes a aguardar uma mesa vazia. A aposta em novos atractivos, como a ponte e os passadiços, é uma aposta ganha, embora também seja verdade que a nível local não se conseguiram resolver problemas mais difíceis, como as das florestas e dos rios. Valham-nos ao menos as preocupações com a biodiversidade e os cogumelos e aguardemos porque o futuro, como se sabe, não é dos ruminantes, grandes responsáveis pelas alterações climáticas, mas dos insectos comestíveis.

E talvez não venha longe o dia que em vez de «posta de arouquesa», que já não existe, sejam os grilos com cogumelos ou outras maravilhas.

De qualquer modo, no mundo da gastronomia (e não só) já não falta por aí gente a queixar-se dos preços exagerados em alguns restaurantes. Por isso, talvez seja boa ideia não repetir a velha história da «galinha dos ovos de ouro».

É que depois nem ovos nem galinha… Um fim que, diga-se, uma gastronomia de qualidade não merecia.

Mesmo que já tenha substituído a «arouquesa» por outra coisa parecida…

(A.)