A conversa que o DD teve com o estuário foi realizada, por coincidência, no jardim de Santo António onde, ligeiramente ao lado, no meio da rotunda, se encontra o brasão da Freguesia esculpido pelo autor, com quatro toneladas e meia.

Nascido na Inglaterra, vive em Arouca há mais de 30 anos, terra por onde tem deixado a sua marca ao esculpir trabalhos nos mais variados materiais.

A Vinda para Arouca

“Vim cá pela primeira vez, em 1991, para explorar e conhecer.  Na altura não tinha ideias de viver aqui, no entanto, a minha mulher é portuguesa, é de Arouca, e quando vim cá pela primeira vez já a conhecia. Conhecemo-nos na Holanda, e viemos juntos viajar. Viemos juntos para cá. No início eu não gostei e fomos embora. Depois de 6 meses voltamos para a Holanda. AÍ trabalhei para a Nissan e ela também trabalhava em várias artes.  Regressamos no ano seguinte e ficamos. Depois restauramos uma quinta, uma casa velha na estrada para Paiva, a casa era de xisto e aí ficamos a viver.”

Michael afirma que o que lhe custou mais quando veio a Portugal na primeira vez foi o facto de na década de 90 o concelho ser ainda um pouco “atrasado”, o que para o artista foi um choque. “A língua soava-me estranha, havia montes de gente que andava descalça, os carros andavam sem vistoria, a sinalização na estrada era escassa. Por exemplo a estrada principal que passa no Alto da Estrada era feita de paralelos. Eu trouxe uma vez uma bicicleta de rodas fininhas e era quase impossível andar aqui, o que me levou a desistir quase logo.”, acabou por confessar Michael.

Isto ocorreu na década de 90, todavia, quando MS conheceu o Porto, pela primeira vez, gostou do viu e notou que realmente existiam diferenças do litoral para o interior, para o artesão foi quase como visitar a civilização pela primeira vez em Portugal. “Achei bastante chocante parecia que estava na idade média, só que com carros.”

O artista aprendeu a esculpir, entre outras técnicas, quando fez o curso de belas artes no País de Gales, no entanto, a técnica de esculpir a lousa confessou ter aprendido sendo autodidata, em Arouca, ou seja, sozinho. Nunca tinha experimentado esculpir com este material e houve uma altura que decidi tentar.” A partir daí, e quando o seu trabalho começou a ficar cada vez mais conhecido, Michael começou a ter várias encomendas de trabalhos. “No início da minha carreira aqui em Arouca o que mais me encomendavam eram símbolos dos clubes em ardósia.”

No entanto, o escultor, desde sempre, trabalhou a fazer retratos, algo que era muito requisitado, chegando mesmo a fazer o retrato de Pinto da Costa, e de Jorge Sampaio (este último oferecido pela ADRIMAG ao antigo chefe de estado, em Lamego), Herman José, Jorge Gabriel, José Mourinho, Vítor Baia, Deco. Michael Sweeny esculpiu, inclusive, o retrato de Fernando Pessoa que está agora na Casa Fernando Pessoa, um museu dedicado ao poeta português.

Rotura com as Feiras Medievais

Michael Sweeny reiterou mesmo que apesar de todo o tipo de trabalhos que desempenhou e levou a cabo, grande parte da notoriedade que ganhou foi devido à sua participação em feiras medievais e feiras culturais, como a Feira das Colheiras ou a Feira Medieval, em Santa Maria da Feira. “Confesso que gosto mais de mostrar o meu trabalho ao vivo, não gosto de redes sociais nem de sites, não fico satisfeito com aquilo. O que gosto de fazer é workshops.”

O estatuário relembrou, com alguma satisfação, que ao trabalhar ao vivo neste tipo de eventos, a esculpir em madeira/calcário ou ardósia, era bastante bem pago. “No entanto eu agora deixei essa vida. Pois era sair de uma terra para ir para outra. Eu precisava de “assentar os pés no chão. Além de que a qualidade, por exemplo, da Feira Medieval da Santa Maria da Feira foi decaindo, ao longo dos anos. Aquilo tornou-se uma revenda, pois os ferreiros e tanoeiros desapareceram ao ponto de colocarem lá atores a desempenhar esse papel por forma a existir apenas a venda dos produtos, e não terem de pagar ao artista. Essa foi uma das principais razões que me levaram a deixar de participar nessas feiras e eventos.”

Apesar de já não frequentar as feiras e eventos, Michael admitiu ainda ter encomendas semanais, “ainda na semana passada tive uma encomenda do Rotary Club de Arouca para esculpir o retrato de Sobrinho Simões, que vai ser homenageado para o fim do mês. Devo ainda iniciar este fim-de-semana esse trabalho.”

Texto: Ana Castro

Fotos: Carlos Pinho

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