O gerente do espaço noturno, Fábio Brandão, deu o seu testemunho de como decorreu a reabertura, no dia 2 de outubro.

Portugal continental avançou para a última fase de desconfinamento, com o levantamento das restrições impostas para controlar a pandemia, numa altura em que o país se aproxima dos 85% da população vacinada. Este plano de desconfinamento, proposto pelo governo, foi composto por 3 fases; a primeira entrou em vigor a 1 de agosto, com 57% da população vacinada, a segunda iniciou-se a 23 do mesmo mês, quando 70 % da população já tinha sido inoculada com as duas doses da vacina. Por fim, no passado dia 1 de outubro, pelas 23h59 o país entrou, portanto, face à atual situação epidemiológica, no nível de resposta a situações de catástrofe mais baixo previsto na Lei de Base da Proteção Civil-Estado de Alerta.

Desta forma os restaurantes e lojas não têm limitação do número de clientes; os bares e discotecas reabriram, ou seja, os espaços de diversão noturna que estavam encerrados, desde março de 2020, devido à pandemia de Covid-19, reabriram igualmente a partir desta data e hora. Esta situação decorreu de, no mês de julho, o governo ter anunciado que estes espaços poderiam reabrir na sua plenitude em outubro, quando se previa que 85 % da população já estivesse vacinada, o que de facto se veio a verificar.

Apesar do aligeirar de algumas medidas, a máscara continua a ser obrigatória em locais de risco e em grandes concentrações (transportes públicos, lojas de Cidadão, escolas, salas de espetáculo, cinemas, salas de congressos, recintos de eventos, estabelecimentos e serviços de saúde etc), assim como nos espaços com área superior a 400 metros quadrados.

O Certificado digital deixa de ser exigido em restaurantes e hotéis. Clientes de restaurantes e hóspedes de hotéis vão deixar de ter de apresentar o certificado de vacinação, ou teste negativo à Covid-19. Termina a recomendação do teletrabalho e a testagem em grandes empresas, e também o fim da limitação de venda de álcool na via pública e de restrição de horários para nela se circular.

Para estruturas residenciais como lares de idosos, crianças, jovens, unidades de cuidados continuados, de acolhimento de vítimas de violência doméstica e de pessoas com deficiência existe a obrigatoriedade de apresentação de certificado digital.

Levantadas as restrições à lotação de recintos desportivos, mantem-se a obrigatoriedade de certificado de vacinação e de uso de máscara.

Arouca não foi exceção e o DD decidiu acompanhar a reabertura do setor mais “castigado” por este contexto pandémico, como é o caso dos espaços de diversão noturna como as discotecas. Ouvimos, para essa finalidade, o testemunho de Fábio Brandão um dos sócios proprietários da discoteca Zénite, no sentido de entender de que forma se fechou um ciclo, e com que consequências, e se reabriu, para agora iniciar uma nova fase, e com que expectativas.

Uma vida ligada à diversão noturna 

Fábio Brandão teve, desde tenra idade, vários familiares que estiveram ligados a este ramo. “Um dos meus tios foi durante alguns anos barman no Kiss no Algarve, as minhas tias também trabalharam na Stop, Zénite, Kadoc e Casa do Castelo, e eu ouvia muitas das histórias que elas contavam, sem dúvida que o meu fascínio por esta área vem daí.”

Relativamente à experiência profissional adquirida por FB, este adiantou que foi ganha durante os anos em que trabalhou no ramo, inicialmente, como empregado de mesa no Alpha 5, mais tarde, quando iniciou um curso de hotelaria em Santa Maria da Feira, e aos fins-de-semana enquanto trabalhava na discoteca Zénite. Com cerca de 17 anos começou a trabalhar com o atual sócio Filipe, pessoa com quem trabalha até hoje, e com quem diz partilhar este gosto e este projeto.

“Um projeto que já exploramos há alguns anos atrás, e que tendo deixado saudades, decidimos voltar, embora, desta vez, com um conceito diferente pois não tencionamos abrir todos os fins-de semana.”, adiantou FB.

Um ano bastante atípico

O setor “da noite” foi o primeiro a fechar e o último a reabrir, “estamos a falar de 19 meses de portas fechadas.” A suspensão de atividade deste setor resultou numa enorme “queda para as contas de muitos negócios da noite, visto que o primeiro trimestre do ano é tradicionalmente “mais parado”, explicou o gerente.

O proprietário referiu mesmo que a recuperação teve lugar a partir de março, situação que não se verificou em 2020. “É evidente que esta situação para muitos casos foi incomportável, traduzindo-se em muitos encerramentos de espaços e milhares de pessoas sem emprego.”

FB acabou por confessar que para muitos o setor “da noite” é visto por muitos como a “quintessência do lazer, ou seja um assunto menor”, no entanto, para o mesmo é tudo menos isso. “Sem dúvida que as pessoas sentiram falta de tudo o que envolve, o que se vive num espaço destes, seja da música, das luzes, das pessoas, do álcool, da energia ou da liberdade.”

O iniciar de um novo ciclo

O proprietário partilhou que a tomada de decisão da reabertura foi bastante próxima do próprio dia da realização do evento, tendo os responsáveis que preparar tudo o mais rapidamente possível, “falo do espaço, pessoas para trabalhar, equipa e segurança. O sócio gerente adiantou que abriram por volta da meia-noite e encerraram aproximadamente às 6h da manhã, tendo o controlo sido feito na entrada, de acordo com as normas da DGS. No que respeita à lotação, fez saber que não queriam exceder o limite de espaço de forma exagerada, mesmo não havendo limitação delineada e imposta.

Para uma primeira vez, e relativamente ao nível de afluência registada, Fábio Brandão acrescentou que tiveram uma noite muito boa e “temos de ser conscientes de que as pessoas precisam de um tempo para recuperar a confiança.”

Quando questionado sobre os cuidados que prevê começarem a ter cada vez mais no futuro, e se considera a penalização pela qual o setor passou injusta, FB reiterou que além de seguirem à risca as normas que a DGS determinou, “não há nada que possamos inventar”. O mesmo acrescentou que vão continuar a ter controlo de lotação e de horário de encerramento, que já tinham em tempos de pré pandemia.

“O sentido da discoteca é o contacto e a socialização e, por muito que custe, tem de se aceitar que perante a situação que se viveu, não havia grande coisa a fazer. Talvez pudessem ter permitido a abertura dos espaços mais cedo, com mais restrições, contudo, a meu ver não seria a solução para a maior parte dos casos que não sobreviveram.”

Fábio Brandão finalizou o seu testemunho afirmando, com toda a certeza, que o futuro passa pelo certificado digital. E relativamente possível medo que sente no que respeita ao ter de fechar de novo futuramente, destaca que, “Neste momento temos quase toda a população vacinada, as vacinas são eficazes ao minimizar o contágio e os sintomas do vírus. A reabertura das discotecas é um motivo de esperança, claro que temos de manter alguns cuidados mas com o tempo todos acabaremos por ultrapassar este receio.”

Texto Ana Castro

Fotos Arquivo Zénite