Associação local quer reabilitar o espaço mas não tem recursos financeiros  

Construídos no município de Arouca há mais de duas décadas, os polidesportivos revelaram-se importantes para a dinamização de um conjunto de práticas desportivas, sendo que parte destes ficaram afetos às atividades das escolas básicas. Enquanto alguns estão funcionais, outros há que estão ao abandono, como é o caso do de Provisende, em Rossas. A Associação Cultural Desportiva e Recreativa (ACDR) de Provisende, face ao estado de degradação, pretende recuperá-lo mas não tem recursos. A solução pode estar nas autarquias.         

Face aos relatos que nos chegaram deslocamo-nos até Provisende para verificar in loco o estado de degradação do polidesportivo. Na oportunidade falamos com os responsáveis da Associação C.D.R de Provisende, que, chegaram a ter a responsabilidade da sua gestão.

Era Presidente da Câmara de Arouca Armando Zola quando foi inaugurado o Polidesportivo de Provisende. No final da década era o único da Freguesia de Rossas. Segundo o que o DD apurou, antes deste espaço ser construído, os habitantes de Provisende e Rossas jogavam numas instalações um tanto arcaicas, «jogávamos num campo de milho que está situado quem vai para as Serras do lado direito, eu próprio ia para lá jogar à bola.» referiu Ramiro Fernandes (RF), Presidente da Associação.

«A intenção de construir esta infraestrutura foi do Ministério que tutelava o desporto. Quem contribuiu foi a Câmara com verbas, para que isto fosse adiante. Isto no fundo é da Câmara, apesar de estar entregue à Associação, mas a responsabilidade é da Câmara. Apesar da Associação Cultural de Provisende ter comprado o terreno, as obras foram feitas pelo Município, talvez a fundos perdidos.», salientou o dirigente.

O terreno em si não é só o do espaço do polidesportivo, existe mais terreno envolvente onde se encontram árvores que os associados pretendem vender, para fazer algum dinheiro, e ajudar na reabilitação. Segundo os mesmos este e outros polis do concelho foram construídos sensivelmente na mesma altura, «na altura da febre da construção dos polidesportivos» não tendo sido nada feito para os dinamizar e preservar, «agora estão ao abandono, e para os voltar a reconstruir requer muito investimento.»

Joaquim Azevedo, um dos associados que também se encontrava no local deu o seu testemunho, lembrando que no início, quando a Escola Básica de Provisende ali funcionava, os alunos vinham para o polidesportivo jogar e fazer atividade física, e mesmo ao domingo de manhã o polidesportivo estava sempre cheio, acorrendo ao local várias equipas de futebol para irem jogando à vez. Ou seja, era um espaço bastante disputado e concorrido. «Vinha para aqui gente da Farrapa, Rossas, Chave, a bem dizer de todos os lados. O espaço era muito diversificado a nível de desportos pois estava preparado para acolher as modalidades de ténis, basquetebol, voleibol e futebol.», acrescentou RF.

O início da degradação

As instalações começaram a degradar-se a partir do momento em que a escola primária fechou. Apesar de continuarem a fazer uso do espaço há semana e ao fim-de semana, «mas os alunos é que lhe davam vida», garantiram os associados.

 Joaquim Azevedo e Ramiro Fernandes afirmaram mesmo que estão a sofrer uma forte pressão pela parte de vários casais de Póvoa Reguenga, Saril e até mesmo de Chave que os pressionam a fazerem algo ali. «Os miúdos daqui que vão para Rossas jogar até podiam fazer uso deste campo para treinos, nas horas que não fossem para o seu clube. Eles vêm buscar as crianças para jogarem lá, e elas até podiam jogar aqui, em vez de terem de se deslocar para esses locais. No entanto, isto precisa de muitos melhoramentos, porque roubaram tudo. Fui três vezes apresentar queixa e, até hoje, não se sabe quem foi, roubaram porta, ferros, só não levaram as balizas porque elas estão presas ao chão.» garantiu RF.

Ramiro já andou a “pesquisar” quanto custaria um relvado sintético e esses andam na casa dos 30 mil euros, o que leva a crer que a obra teria mesmo de ser comparticipada. O mesmo referiu que irá à Câmara de Arouca, com vista a entrar em negociações para que possam ter alguns apoios. No entanto, sabe que não é só a Câmara que tem responsabilidade, «a Junta também tem.» avança.

Por sua vez Joaquim Azevedo esclareceu mesmo que aquela parte de Provisende está muito abandonada, «a única coisa que se passa aqui e que tem movimento é a estrada para a Freita, e nós acabamos por ficar aqui esquecidos. É que nem uma via de ligação para a Freita tem em condições. Nós estamos num lugar que tem efetivamente pessoas com gosto em mover a aldeia para a frente, mas vêm-se sem meios para atingir os fins.»

Escassa ajuda das entidades responsáveis

A A.CD.R de Provisende não tem meios para conseguir revitalizar o espaço pois afirmam receber apenas 1000 euros, por ano, por parte do município, sendo que para além dos gastos que têm com o Rancho e com algumas atividades, a margem não dá para muito mais. «Nós por vezes temos de pôr dinheiro do bolso para realizar algo».

Ramiro Fernandes referiu ainda que no programa eleitoral do atual executivo do PS, uma das medidas era a reabilitação dos polidesportivos, desta forma o responsável quer averiguar se a promessa vai ser cumprida e, neste caso, este “poli” reabilitado. Isto porque a própria sede da associação também é da Câmara. «Foi-nos prometido pela Senhora Presidente que o muro em volta da associação, que são as instalações da antiga escola, também seria arranjado e, até ao momento, ainda nada.»

De recordar que todas as obras realizadas no espaço da associação foram custeadas pelos membros da mesma, sem qualquer apoio de qualquer entidade pública, e que nenhum membro paga quota anual.

Ramiro Fernandes reitera que o Município já se comprometeu a realizar mesmo outras intervenções na sede da Associação e que também, até ao momento, ainda nada foi feito, “deram a desculpa que equipa responsável por esta área no município andava muito ocupada.”

A A.C.D.R de Provisende adiantou ao DD que até ao final do mês de outubro vai limpar o terreno dentro e ao redor do espaço desportivo, cortando a madeira e asseando da melhor maneira o espaço, pois pretendem, segundo os mesmos, construir umas bancadas.

 A nível de prazos queriam ter o espaço pronto no início do Verão, que é quando as crianças têm mais tempos livres e mais liberdade para andar no exterior. «Muitos pais já têm caído em cima de nós sobre o porque de ainda não se ter avançado com nada.» Ao que deram a entender ao nosso jornal os progenitores que dali são naturais pretendem que as crianças realizem as atividades de tempos livres na sua terra.

Texto Ana Castro

Fotos Carlos Pinho

Ramiro Almeida e Joaquim Azevedo em declarações ao Discurso Directo
Alguns dos vários exemplos de degradação espalhados pelo espaço