As eleições autárquicas decorreram neste fim-de-semana e, com esse momento, ficamos a conhecer os novos eleitos que vão integrar os órgãos autárquicos do município, nos próximos quatro anos. A este propósito, sendo estas consideradas as eleições de proximidade, a abstenção ter-se situado na ordem dos 30% acaba por demonstrar, mais uma vez, que os arouquenses têm um compromisso firme com a democracia e um elevado sentido cívico de responsabilidade para com o futuro do concelho. No que à contabilidade do voto diz respeito, fica claro que existe uma vencedora, a Presidente Margarida Belém, ao conseguir uma maioria absoluta de mandatos na Câmara Municipal. Neste ponto, quero deixar aqui as minhas felicitações pelos resultados alcançados pela candidatura do Partido Socialista e, em particular, para a protagonista, desejando sucesso no exercício do seu mandato pois esse será também o sucesso de todos os arouquenses.

Numa análise mais aprofundada, é de realçar a perda no PS de 5% relativamente a 2017 em contraponto com uma clara subida da coligação liderada pelo PSD que, nesta eleição, recolheu mais de 41% dos votos. Assim, conclui-se que existiu uma perda considerável do número de votos no final de primeiro mandato e um claro incremento de confiança num projeto alternativo que, nos últimos dias de campanha, deixou no ar a possibilidade de poder acontecer uma verdadeira surpresa após o debate realizado entre todos os candidatos. A sensação que fica é que ela pode acontecer daqui a 4 anos, sendo que, estará sempre na mão dos arouquenses, pois decorre da sua avaliação no final do mandato que se iniciará após a tomada de posse do novo executivo. Essa expetativa encontra respaldo na votação para a Assembleia Municipal. A diferença de 40 votos em benefício do Partido Socialista é elucidativa da perda eleitoral clara que resultou das eleições deste Domingo. E aguardamos, mais uma vez e à semelhança do que aconteceu há 4 anos, pelo desfecho da eleição da mesa da Assembleia Municipal em virtude das inerências que os Presidentes de Junta de Freguesia têm naquele órgão que dão a maioria à Coligação Agora os Arouquenses.

As eleições para as freguesias trouxeram uma novidade vinda da União de Freguesias de Canelas e Espiunca, com a vitória da lista independente Juntos pela União numas eleições, mais uma vez e à semelhança de há 4 anos, muito disputadas. Disputadas foram igualmente as eleições na freguesia de Moldes, embora neste caso o PS tenha conseguido assegurar a vitória, tal como na freguesia de Tropeço. A coligação Agora os Arouquenses conseguiu manter os restantes Presidentes de Junta que se recandidatavam, tendo uma vitória muito importante na União de freguesias de Arouca e Burgo, que resultou na eleição de Vítor Arouca para a presidência desta importante Junta de Freguesia ao derrotar Ricardo Oliveira, ambos candidatos da nova geração.

Os Arouquenses concederam, na minha opinião, o benefício da dúvida a Margarida Belém. Existiu uma vitória, é certo, mas sem o reforço esperado de votação, ao contrário do que seria expetável numa autarca no final do primeiro mandato a procurar a reeleição. Vítor Carvalho ganha nesta eleição um enorme reconhecimento da população pelo seu trabalho e pelo seu carisma, é claramente o rosto da oposição e recolhe um enorme crédito político. Não faltam exemplos de casos de sucesso similares bem espelhados nestas eleições autárquicas de 2021 no país.

Uma palavra para todos os candidatos e a todos os eleitos, que merecem apreço pela disponibilidade para servir a sua comunidade. Por Arouca e pelos Arouquenses.

Texto de Artur Miler