Tarde de Agosto. Depois da chuva um sol morno. Junto ao rio Arda, a passarada voltou em força. Grandes bandos de pardais, melros, gaios, pegas e, coisa estranha, muitos pombos bravos. Por entre ervas e arbustos, toda a raça de insetos, desde saltões, grilos, vespas e as pouco simpáticas «asiáticas». Outra miudagem de muitas cores e feitios difíceis de identificar.

No rio, onde a água aumentou ligeiramente com as últimas chuvas, nem um peixinho. Décadas atrás não se via o fundo, coberto de trutas, bogas, barbos, escalos. Nas margens montes de silvas e a imagem dum rio completamente abandonado.

Nos jornais desta semana os habituais ambientalistas, a que alguém chama «do Terreiro do Paço», voltaram a «botar faladura» e a asneirar. Agora vão introduzir as lontras (no meio daqueles silvados onde vão passar e o que vão comer?) e «construir hotéis para os insetos se multiplicarem» além de outras façanhas e as habituais visões apocalípticas dum mundo «prestes a acabar».

Por cá, em diálogo com os candidatos, também reina grande azáfama: plantar uma arvorezinha, combater as infestantes etc e tal…

Mas todo este mundo tão esquecido, tão desprezado, este reino da bicharada, precisa de outra coisa em que ninguém está interessado: trabalho, muito trabalho. Brigadas de roçadores, gente de enxada na mão, responsáveis oficiais devidamente preparados.

O resto é conversa fiada. Com exceção de alguns bons exemplos, que também existem em Arouca, estes «ambientalistas do Terreiro do Paço» não servem para nada.

Não distinguem um grilo duma cigarra ou um esquilo dum rato.

(A.B). Foto: Carlos Pinho.