O voto constitui o maior e mais importante instrumento de transformação social.

Em democracia, o ato de votar é o momento mais nobre e livre de todos, trazendo consigo consequências imediatas com impactos muito prolongados nas nossas vidas.

Poder escolher quem nos vai governar mostra que estamos a participar na construção de soluções, mesmo que nem sempre concordemos com todas as propostas e decisões tomadas.

Ora questionamos e criticamos de forma muito enérgica as opções políticas de quem nos governa, ora demonstramos um elevado desinteresse e pouco envolvimento face à realidade que nos envolve, levando a um desligamento face à política que é, nada mais, nada menos, do que tudo o que diz respeito e regula a nossa vivência em sociedade. Sabemos que podem existir muitas razões para um certo descontentamento face a uma ou mais decisões políticas, mas impõe-se que possamos responder a uma questão fundamental: queremos ser meros consumidores de decisões tomadas num universo distante ou queremos contribuir ativamente para estas decisões sejam tomadas tendo por base a realidade em que vivemos? Queremos ser apenas espectadores ou optar por ser atores e interventores diretos?

As eleições autárquicas do dia 26 de setembro serão aquelas que nos permitirão eleger os nossos representantes políticos mais próximos, aqueles que estarão na “porta ao lado” para connosco governar e gerir as áreas que direta e indiretamente interferem com as nossas vidas.

O momento em que vivemos reveste-se de particular exigência para os jovens e nunca é demais sublinhar que é imperativo que sejam asseguradas as condições necessárias para a sua emancipação condigna, para que estes possam prosperar no presente e ser o futuro, nomeadamente com a criação de políticas públicas com uma forte aposta na criação de respostas para a educação e a formação, para a efetivação de empregos dignos e de habitação condigna, para a saúde, com particular enfoque nos cuidados com a saúde mental, mas também procurando reforçar o acesso à tecnologia e à informação verdadeira, ao desporto e à cultura, ao ambiente sustentável e à mobilidade.

Neste sentido, é fundamental apostar numa solidariedade intergeracional que responsabilize as gerações atuais pelas seguintes, que olhe verdadeiramente para os jovens e os envolva nos processos e nas tomadas de decisão, incluindo-os nas estratégias políticas que eles irão herdar para que tenham uma palavra a dizer na forma como o seu destino é gerido. Desta forma poderá ser garantida uma maior equidade nas respostas municipais para todas as faixas da população, precavendo o futuro da atual geração e das gerações vindouras, dando voz aos seus problemas, às suas causas, objetivos e necessidades.

O imediatismo e a precarização de propostas devem ser substituídos por um paradigma focado no estruturalismo e em soluções pensadas a longo prazo, tendo por base um diagnóstico real e claro, com o objetivo de construir soluções sólidas, exequíveis e robustas, sem megalomanias e pensamentos irreais, para que deixemos de colocar pequenos pensos rápidos em enormes feridas abertas. Este é o retrato fiel de alguns candidatos que numa escala de capacidade de transformação social demonstram ser os menos propensos e capazes de alcançar essa tarefa pela perspetiva imediatista e pouco conhecedora da realidade que lhes subjaz. É, por isso, fundamental que sejamos capazes de eleger a competência e a experiência, o conhecimento da realidade e a capacidade de trabalho demonstrada, o comprometimento efetivo e a visão de futuro para com a causa e a coisa pública.

Tendencialmente recusamos pensar no sistema como um todo e isso tira força à democracia. É necessário olhar e agir como sendo parte de um sistema global com impactos locais. Assim, torna-se imperativo votar em pessoas que poderão ser capazes de manter uma política próxima dos cidadãos, capaz de responder às suas necessidades e aspirações, assente em práticas de co-criação, co-decisão e co-gestão, que envolvam todos e todas para que, em conjunto, sejam construídas soluções para um futuro que deve ser presente.

Deixar nas mãos de uma minoria as decisões que nos vão afetar a todos é um erro com consequências demasiado graves para a nossa vida coletiva. O voto consciente é o primeiro passo no caminho para uma efetivação e consolidação da cidadania e da democracia.

A solução é simples: votar e ser parte da solução de futuro que queremos alcançar.