Já é o segundo ano em que a maior festa do concelho de Arouca, a feira das colheitas, não se realiza fruto da pandemia de Covid-19. Esta informação fez-se saber através de um comunicado enviado, a 3 de setembro, às redações. Devido à sua importância a nível cultural, identitário e social, para os arouquenses, o DD decidiu realizar uma reportagem de rua onde vários comerciantes históricos de Arouca e alguns cidadãos deram o seu testemunho sobre o que significa esta festividade para eles e como vão passar mais um ano sem ela.

«É uma feira importantíssima muito antiga, temos a responsabilidade de manter a tradição ao participar nas feiras. Antes fazíamos a feira da loiça, só mais tarde passamos a fazer feira de loiça e fruta. Eu fazia parte do orfeão e participava no cortejo, agora com a pandemia acabou tudo. Vamos por isso enfeitar a loja como é habitual e participar na feira normal que sabemos que se vai realizar.», partilhou Isabel Almeida da Frutaria Arouquense.

António Tavares proprietário do café Snack Bar Alpha 5 acredita que a festividade das Colheitas é ótima para toda a gente, e para o negócio, visto que é algo confuso «mas temos de lidar com isso pois estamos no centro e temos de lidar com a confusão. Concordo que a feira não se realize este ano, pois não é fácil para nós trabalhar nestas condições, de muito sobressalto, e ainda ter de cumprir com as regras sanitárias. Isso seria impossível cumprir com a afluência desses dias. Todos os anos temos problemas ao lidar com as pessoas.»

José Luís Teixeira proprietário do Restaurante Parlamento confessou que a feira das colheitas, em termos de faturação, é o nosso melhor fim-de-semana do ano. «Não creio que seja uma altura confusa, pois nós adotamos um sistema de trabalho muito organizado, reduzimos a ementa para dois pratos a carne vitela e a posta, não servimos café, para evitar que as pessoas fiquem a fazer sala, e apenas servimos sobremesas conventuais. Nós sabemos o que as pessoas vão comer e elas também, e toda a gente fica satisfeita.»

JLT reiterou que este ano, como não vão existir tasquinhas, é provável que venha bastante gente na mesma e se concentrem mais nos restaurantes. Dessa forma o proprietário afirma que estão a preparar-se para trabalhar de igual maneira.

 Lúcia Rodrigues, habitante de Bouceguedim, adiantou ao DD que aquilo que gostava muito de visitar eram as tasquinhas, no entanto, os açafates, ou seja, o cortejo era o evento que mais gostava de ver, visto que a sua mãe participa todos os anos nesse desfile. «Apreciava igualmente o desfile dos ranchos, e tenho tristeza devido a não se realizar. Vou participar no concurso da melhor broa caseira, é mais descentralizado mas lá vamos nós para cabreiros.», acabou por partilhar motivada.

Texto Ana Castro

Fotos Carlos Pinho

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Isabel Almeida Frutaria Arouquense
António Tavares Café Snack Bar Alpha 5
Lúcia Rodrigues Habitante de Bouceguedim
José Costa Agricultor
Manuel Bastos Proprietário da Casa dos Doces Conventuais de Arouca