Judite Gonçalves cumpre o horário de trabalho completo «7h» em frente à escola secundária de Arouca em forma de protesto, desde o dia 1 de setembro.

A assistente operacional, tem 59 anos, e reside em Santa Eulália. É viúva há 19 anos e começou a sua carreira de assistente operacional em Cabeçais, onde depois foi transferida para Chave. Apesar de pertencer aos quadros do AEE Agrupamento de Escolas de Escariz, desde o início da sua atividade profissional que de tudo tentou para se aproximar da sua área de residência, devido à sua situação familiar, visto que vive sozinha pois o filho trabalha no estrangeiro.

No ano 2008 foi-lhe dado a escolher, por um responsável da DREN, qual a escola do Agrupamento de Escolas de Arouca AEA que mais lhe agradava trabalhar, ao que Judite respondeu Escola Secundária de Arouca, instalações em que trabalhou durante 7 anos. «Trabalhei aqui quase sete anos ao fim de três anos pensando eu que estava transferida e legal, recebo um comunicado em como estava na mobilidade. Nessa altura, já considerei um erro da secretaria e tenho a confirmação de que eu ao fim de um ano, após ter vindo para esta escola, teria que ver a minha mobilidade consolidada legalmente. O que não aconteceu.»

A funcionária escolar, durante 7 anos, viu a sua situação prorrogada acabando por ir ficando sempre no Agrupamento de Escolas de Arouca, apesar de ter de «saltitar de escola para escola». Até á data, tem estado sempre em Arouca, tirando dois ou três dias que teve de voltar ao serviço de origem no outro agrupamento. 

O Pólo do Burgo foi o último local onde Judite trabalhou onde, a 8 de julho de 2021, último dia de aulas, do passado ano letivo, segundo a mesma, recebe um telefonema da atual diretora do AEA, onde a mesma lhe comunica que havia recebido um ofício da DGAE, onde constava que Judite tinha de regressar ao seu serviço de origem AEE «Agrupamento de Escolas de Escariz» por falta de pessoal, «menos 4 pessoas», visto que o AEA «Agrupamento de Escolas de Arouca» estava com um elemento não docente a mais.

Nesse dia Judite Gonçalves confessa que se sentiu mal, «tive de vir para o hospital pensei que da última vez a situação ficasse resolvida porque sou sozinha e viúva e não tenho quem resolva nada por mim, não tenho carta nem transporte próprio. Isto legalmente não deveria estar a acontecer, porque em 2009 teriam de ter consolidado a mobilidade, o que não foi feito.»

A assistente operacional confessou ao DD que três dias depois de receber o ofício onde ficou informada que teria de mudar de Agrupamento ficou também a saber, por uma colega, que tinha estado aberto um concurso, para captação de pessoal não docente, para o Agrupamento de Escolas de Arouca, o que não é concordante com o que lhe foi comunicado nesse mesmo documento onde, como já referimos, havia um funcionário a mais no AEA.

Quando foi tentar informar-se da sua situação na DGEST, e como poderia solucioná-la, foi-lhe proposto que interrompesse as suas férias, e se apresentasse no posto de trabalho onde tinha sido colocada, ao que Judite respondeu que não ia abdicar das suas férias, pois eram um direito seu e pretendia gozá-las. «Estou, por isso, desde o dia 1 de setembro, em frente à Escola Secundária de Arouca a cumprir o meu horário de trabalho completo, 7h. O assunto não foi resolvido até ao dia 3 de setembro, por isso, hoje, dia 6, estou aqui de outra forma.»

Judite Gonçalves realça mesmo que pretende ir até às últimas consequências para ver a sua situação solucionada porque, segundo a mesma, «está cansada que passem por cima de dela.» «Não tenho de estar a pagar este preço estou a ter um desgaste sem medida.»  

Amélia Rodrigues, diretora do Agrupamento de Escolas de Arouca, quando contactada pelo DD, por forma a dar algum esclarecimento sobre o caso, respondeu que nada tinha a declarar.

Judite Gonçalves emocionou-se em vários momentos do seu testemunho