No dia 26 de setembro de 2021, toda a comunidade portuguesa será chamada às urnas, com o intuito de eleger os seus representantes locais, para os próximos 4 anos.

Não tenho dúvidas que a adesão às urnas será muito maior do que nas eleições presidenciais, em janeiro passado. Mas também não tenho dúvidas que a abstenção vai marcar presença no comentário político.

Ainda que a organização das mesas de voto, agora por ordem alfabética, não nos permita retirar ilações sobre as faixas etárias que mais contribuem para o fenómeno, as maiores suspeitas vão sempre incidir sobre a participação jovem.

E se há narrativas com as quais não posso concordar, é precisamente com as que dizem respeito ao desinteresse e falta de participação da minha geração.

A minha geração quer saber, a minha geração quer participar, a minha geração quer fazer parte. Mas, em abono da boa verdade, isto não é um problema das novas ou das velhas gerações.

É um problema intergeracional que afeta toda a sociedade portuguesa.

Na minha opinião, a ausência de soluções para os problemas das pessoas, é o principal motivo.

As pessoas não querem contribuir para algo do qual não sentem que fazem parte e que não lhes traz vantagem.

Há muito por fazer, as pessoas esperam e reclamam de cada responsável político que se faça mais, que se faça melhor. E se a política não serve para resolver os problemas da sociedade e para melhorar a vida das pessoas, então não serve para coisa alguma.

Mas afinal, o que precisamos nós, jovens, da política local?

Desbloquear e desburocratizar a participação.

Proximidade, de ideias, de debate, de implementação. Devem ser reforçados e potencializados os mecanismos já existentes de auscultação dos jovens e das organizações de juventude local.

Para uma participação mais informal, de modo a que se garanta a representatividade juvenil, necessitam de ser criadas e implementadas dinâmicas de valorização e incentivo à participação de todos os jovens.

Não é muito, não é pouco. É o justo e quanto baste.

Texto: Fátima Pinho