“A Constituição da República Portuguesa aponta para uma democracia plena, o vivido desenrola-se numa democracia liberal e das fraquinhas.”

Anónimo

Estão entregues as listas concorrentes às eleições autárquicas. Apesar do poder local democrático ser, dos vários poderes eleitos em Portugal, o modelo mais democrático – vai além da componente representativa incorporando uma forte componente participativa -, não está livre da corrosão que se faz sentir nos modelos de organização política dos estados do tempo presente.

Curiosamente, a propósito da crise económica em Cuba e mais estranhamente da pujança económica da China, a denominada “civilização ocidental”, cega, vê falha nos modelos de organização política das chamadas democracias populares não detetando nada, apenas virtudes, nas suas viçosas democracias liberais.

Das conversas com gente de muitos lados e quadrantes, do que se vê na propaganda já editada por esse Portugal fora, nunca como este ano correu tão mal o processo de construção de listas autárquicas. Não tanto pelo encontrar nomes disponíveis, “dar o nome” é uma instituição portuguesa, mais ainda quando as possibilidades de eleição são reais. O problema é mesmo a falta de organização, de debate coletivo, de corpo constituinte das listas.

Cada vez mais as listas concorrentes a qualquer eleição mais não são que um ajuntamento de pessoas, muitas vezes em torno de um “eu do tamanho do mundo”, projetos cada vez mais voláteis, com propaganda cada vez mais publicidade, num quadro em que os eleitores estão cada vez mais alienados, mais consumidores e menos cidadãos.

Longe vão os tempos em que a ACDC convocava uma reunião de sócios para decidir da marcação do campo para o jogo de futebol do domingo seguinte, com o FC “Lírio do Neiva”, uma reunião em que os sócios apareciam em número razoável e discutiam a hora, quem aparecia, o material necessário, etc.. Hoje, mesmo assuntos de importância primeira são discutidos e decididos por núcleos cada vez mais restritos.

Algo está mal quando o comum não participa, não discute, não faz política, circunscrevendo-se o fazer politica apenas e só aos que são remunerados pelo seu exercício. Não é em Cuba nem na China que isto acontece, é cá na “Europa”, nas tais sociedades que andam por aí, de peito feito, a vender democracia e direitos humanos pelo mundo.

Um feliz mês de Agosto