Segundo o Jornal Público o Governo Francês desaconselhou as viagens a Portugal. Habitualmente, os emigrantes costumam chegar a partir de 15 de julho. Segundo dados obtidos no mesmo jornal e daquilo que foi observado no Verão passado, ter casa ou família próxima em Portugal pode sobrepor-se ao efeito desencorajador imposto pelas medidas restritivas da Covid-19, apesar de não existirem ainda dados estatísticos que o comprovem.

Existem algumas regiões de Portugal que já sentiram uma diminuição no número de emigrantes que as visitaram, por exemplo, no ano passado. Isto traduziu-se em menos 70 % de vindas, devido à Covid-19.

Também conforme informação obtida no Jornal Público ficamos a saber que a partir de 19 de julho, quem estiver vacinado com as duas doses da vacina não terá de fazer isolamento de dez dias no regresso ao Reino Unido. Ainda assim “terá de fazer um teste PCR no segundo dia de regresso. Quanto à Alemanha, os viajantes provenientes de Portugal não são obrigados a fazer quarentena se estiverem totalmente vacinados ou contraíram a doença e já recuperaram. Os demais fazem uma quarentena de dez dias se forneceram um teste negativo antes da partida ou de cinco dias se depois de chegarem voltarem a testar negativo. Nenhuma dessas medidas se aplica a cidadãos alemães ou pessoas com residência no país.”, pôde ler-se no Jornal Publico.

O próprio secretário de Estado para o Turismo francês, Clément Beaune, alertou para a situação “particularmente preocupante” em Espanha e Portugal, situação pela qual não nega a possibilidade de, nos próximos dias, serem reforçadas as medidas impeditivas ou restritivas das deslocações a Portugal.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, teve a necessidade de esclarecer que o governante francês se estava a referir a viagens não essenciais, categoria da qual não fazem parte a vinda dos emigrantes portugueses ao seu país de origem.

No mesmo artigo do Público salientava-se o facto de, segundo o mapa do Centro Europeu e Controlo de Doenças (ECDC), que auxilia nas decisões dos Estados Membros sobre viagens, todas as regiões de Portugal estarem em risco elevado, da mesma forma como grande parte da Espanha, segundo os dados que foram atualizados.

“Portugal é neste mapa o segundo país da União Europeia com a maior taxa de incidência da covid-19 a 14 dias: 240,53 casos por 100 mil habitantes. Chipre ocupa o 1.º lugar, com 493,13.”

De forma a ter um feedback relativamente à possibilidade de vinda dos emigrantes de Arouca, ou para a impossibilidade, o DD decidiu contactar e falar com alguns para ter uma ideia geral de como se vão processar as férias destes arouquenses.

Tiago Cruz- Operador de Máquinas-França

Tiago Cruz emigrado há mais de 10 anos na França adiantou que todos os anos que esteve no estrangeiro veio passar férias a Arouca.

Jà vai fazer 10 anos que sai de Portugal, no entanto, gosto sempre de regressar onde nasci. Os meus pais nunca saíram daí, por isso aproveito todas as vezes que posso, e vou visitá-los (principalmente em agosto e no Natal).”, confessou TC ao DD.

O jovem afirmou que no ano passado não pôde vir a Portugal, devido à Pandemia de Covid-19 estar bastante ativa. No entanto, este ano de 2021 decidiu marcar férias para o nosso país, e passar grande parte das férias a Arouca, mas também uns dias a Barcelos onde vivem alguns membros da família da sua namorada.

Relativamente aos obstáculos com que se deparou no ano anterior em termos de regras e medidas restritivas TC disse, “o ano passado foi muito complicado para organizar a viagem. Não queria correr o risco de ir para o estrangeiro, porque as medidas restritivas podiam mudar a qualquer momento. Em França, não tenho qualquer problema para realizar testes PCR ou antigénicos (são baratos). No entanto, os testes PCR em Portugal, tinham de ser realizados em laboratórios privados, com o preço médio de 100 euros. Vou ter que me informar quando estiver em Portugal.”

No que respeita aos fatores que mais têm contribuído para muitos emigrantes não virem visitar os seus familiares Tiago Cruz acredita que as restrições variam de país para país e que há sempre o medo de ter de realizar quarentena quando se chega ao país de origem, ou de não se puder movimentar livremente, fazer atividades de grupo, ter o recolher obrigatório ao fim de semana em certas zonas, por isso às vezes, “é melhor ficar onde estamos”, desabafou.

Relativamente à informação que já reuniu Tiago Cruz sabe que, atualmente, se um emigrante quiser entrar em Portugal tem de ter o certificado de vacinação completo ou um teste PCR de 48h, e para a viagem de regresso necessita de ter ou o certificado de vacinação completo ou um teste de PCR de 24h.

Apesar de todas as regras e precauções TC, confessou ao DD que adora Arouca devido a ser uma vila “magnífica” pela sua paisagem e gastronomia, e que sempre será o seu destino de férias. No que toca às atividades que irá realizar quando os seus pés tocarem em solo arouquense afirma que ainda não decidiu, “improvisarei na hora. Uma coisa é certa, vou passar o máximo de tempo possível com os meus pais.”

Sara Duarte-Gerente de um estabelecimento comercial Português-Suíça

Há 16 anos a trabalhar em terras Helvéticas Sara Duarte, apesar de ter o seu percurso de vida encaminhado, tendo dois filhos, e um trabalho estável e bem remunerado não prescinde de vir passar férias a Portugal. “Desde que estou emigrada na Suíça sempre fui passar as minhas férias a Arouca onde tenho a minha família e foi também onde cresci.”

A gerente de loja afirmou que ainda não teve a oportunidade de vir, no entanto, assim que puder virá “com certeza” passar as suas férias por terras arouquenses.

Em termos de obstáculos, relativamente ao vírus, que a tivessem impedido de viajar Sara adiantou, ”assim dificuldades ainda não passei. No último ano decidi não ir de férias, não por mim, mas sim pelos meus filhos. Claro que eu tento explicar-lhes a situação, mas nem sempre eles entendem. É complicado eles estarem habituados a ir a todos os lados e agora já não poderem ir assim facilmente. Esta situação torna-se um bocado complicada para eles às vezes.”

A jovem acredita que muitas pessoas não virão para Portugal devido ao contexto epidemiológico, no entanto, a seu ver o principal motivo que desencoraja muitos emigrantes na vinda é a razão de muitas pessoas não respeitarem as regras, o que promove uma maior disseminação do vírus e insegurança.

“Aqui na Suíça, até ao momento, não vigoram muitas restrições. Em alguns sítios já não é preciso a máscara na rua e também não é preciso a quarentena.”

Sara Duarte ainda confessou que gostava muito de ir percorrer a ponte Pedonal Suspensa 516 Arouca, no entanto, não quer fazer muitos planos porque ainda não sabe como vai correr tudo. De uma coisa tem a certeza, que quer poder fazer férias e que estas têm de ser em Arouca.

Alexandre da Silva-Comercial-França

Alexandre da Silva nasceu em França, no entanto, nuca perdeu os laços que tinha com Portugal, mais precisamente com Arouca. O jovem vem sempre passar férias a Arouca no verão e, quando pode, nas colheitas e no Natal.

Confessou também que Arouca é um sítio a que adora regressar visto que aqui tem “familiares e amigos”.

Este ano também não foi exceção visto que Alexandre já se encontra com a família no nosso concelho. Apesar do período complicado que estamos a passar, divido à situação pandémica, ainda não estar totalmente controlada, AS, afirma que não teve qualquer problema ao vir para Portugal porque já foi vacinado.

Alexandre Silva acredita que um dos fatores que está a fazer com que alguns emigrantes não venham é o facto de os testes PCR em Portugal serem muito caros, visto que são obrigatórios para entrar e sair do território nacional.

De qualquer das formas salientou que apesar de tudo gosta muito de Arouca porque é onde tem as suas raízes e “por nada deixaria de vir até cá”

O jovem planeia este verão realizar o percurso dos Passadiços do Paiva assim como a Ponte pedonal suspensa 516 Arouca.

Tiago Cruz e Susana Sobral
Tiago Cruz com os seus pais e namorada em aeroporto Francisco Sá Carneiro
Sara Duarte de férias em Portugal
Lucas filho de Sara Duarte
Tohmás filho de Sara Duarte
Dia passado numa praia em Portugal
Alexandre da Silva em Ponte de Telhe-Moldes