O Dia dos Avós comemora-se no dia vinte e seis de julho, uma homenagem merecida e justa a todos pela importância do papel que desempenham na família e na sociedade. A consagração deste dia foi decretada pela Assembleia da República no mês Maio de 2003, recomendando um tratamento mais digno para aqueles que já fizeram a escalada da montanha, removendo pedras e plantando flores nos seus caminhos.

 Celebrar este dia significa valorizar a sua experiência de vida, reconhecer o valor da sua sabedoria adquirida quotidianamente ao longo dos anos, no convívio com outras pessoas e com a natureza. Os avós têm uma experiência de vida inigualável, pois já conheceram o sucesso e o fracasso, a verdade e a mentira, o certo e o errado, a alegria e a dor, as gargalhadas e as lágrimas, a conquista e a rejeição, os ganhos e as perdas, mas terão, sobretudo, vivido com intensidade a magia da existência humana, o que lhes proporciona uma fonte de saberes, um manancial de conhecimentos e uma enormidade de paciência e de compreensão. A figura dos avós é essencial para o retrato de família que as crianças têm necessidade de desenhar nas suas mentes para se identificarem com o passado, se posicionarem no presente e se inserirem no grupo. Os avós possuem as chaves de uma biblioteca que se abre para o passado. São uma espécie de reservatório da história familiar, testemunhos vivos, por excelência, das recordações e lembranças de memória para proporcionarem aos netos uma visita ao passado dos seus progenitores, um retorno às suas origens familiares, alimentando-lhes o presente, preparando o futuro e ajudando-os a construir o sentimento de pertença e enraizamento, fundamentais para dar sentido à sua própria existência. Conhecer a sua história familiar, situar as suas raízes, contribui para que a criança se conheça a si própria e identifique o seu lugar no universo familiar. Também são os transmissores da memória e da perpetuação das tradições familiares, contribuindo, assim, para dar vida aos valores de pertença, de proveniência e de coesão familiar.

 A importância dos avós não fica por aqui. A forma como as civilizações ocidentais evoluíram ao longo dos anos, trazendo modificações significativas na estrutura e organização familiares, fizeram com que fossem chamados a desempenhar um novo papel na família. Por vezes, são a peça-chave, uma preciosa ajuda para que os pais consigam conciliar a vida familiar com a vida profissional, substituindo-os em várias tarefas que não podem desempenhar por falta de tempo, ou incompatibilidade de horários, segurando os alicerces e preenchendo as lacunas. Duma maneira geral, os avós prestam apoio emocional aos netos, têm bastante influência na sua educação, ajudam a desenvolver-lhes a socialização e a criatividade, transmitem-lhes confiança e sabedoria e oferecem-lhes tempo, atenção, amor e segurança. Neste momento, de férias escolares, com menos alternativas de ocupação para as crianças, devido ao Covid, e também com muitos pais com menos recursos económicos, estarão muitos avós a colaborar na ocupação dos seus netos e certamente com todo o gosto. 

 Pela 1ª vez na história da humanidade, há atualmente mais avós em todo o mundo do que netos. É de lamentar e, profundamente, que muitos avós e outros idosos, após uma vida a dar de si, acabem a viver sozinhos, em situação grave de solidão, exclusão e isolamento, frequentemente com doenças várias, limitação de movimentos e todo o tipo de carências e ainda, por vezes, abandonados e maltratados pela própria família. Portugal está no grupo dos cinco piores países no tratamento aos mais velhos. Isto é um péssimo exemplo. Trata-se de uma questão de cidadania. Uma sociedade que não trata bem os idosos não pode ser considerada desenvolvida.    

Texto de Rosa Morais