O Empresas & Empresários desta semana dá-lhe a conhecer a Lacozinco, uma empresa na área da metalurgia que atua no mercado de tratamento e revestimento de metais. A empresa, que possui um conhecimento de mais de 40 anos no ramo da metalurgia, fica sediada na zona Industrial da Rainha em Serzedo, Vila Nova de Gaia, possuindo cerca de 3500m quadrados de área fabril e 8500 de área total.

 Adriano Cardoso, está ligado à área desde criança, isto porque aprendeu esta arte com o pai, e trabalhou vários anos para os progenitores. No entanto, foi em agosto de 2012 que decidiu abrir o negócio próprio. Desde esta data, em que o empresário iniciou este projeto empreendedor, que os mesmos prestam serviços de lacagem, ou seja, o acabamento final das peças de alumínio/ferro. O mesmo afirmou que chegou onde chegou e possui este património porque “a dificuldade da vida obrigou-me a nunca parar de lutar”.

A empresa é familiar, atravessando gerações, visto que mãe e filha (Paula e Joana Cardoso) estão responsáveis pela parte administrativa, e o pai e marido, Adriano Cardoso, está encarregue pela produção. Joana Cardoso é inclusive, atualmente, a proprietária da empresa herdando, desta forma, a arte e o saber que a família detém desde há muitos anos. Adriano e Paula Cardoso afirmaram mesmo que podem ir para a reforma “descansados”, pois a filha é extremamente competente e responsável, dominando por completo todas as partes do processo de lacagem, (a prática), e também os serviços administrativos. “Já tivemos vários clientes a dizer-nos que a nossa filha é espetacular. Ela já substitui o pai na ausência dele”.

 Com um total de 17 colaboradores, no total, a contar com os quadros dirigentes a Lacozinco é uma empresa que, no momento, tem tido um significativo volume de trabalho e sofre principalmente com a falta de mão obra. Segundo Joana Cardoso, “necessitamos muito de mão-de-obra, e não precisa de ser qualificada pois este serviço aprende-se bem.”

A falta de mão-de-obra com quem possam contar é mesmo a maior dificuldade que esta empresa apresenta, pelas constatações da família. Isto porque, segundo a experiência que têm no que toca a recrutamento, a maioria das pessoas não se quer sujeitar a um trabalho diário e físico, porque têm a possibilidade de estar no seu domicílio, e ao fim do mês recebem o subsídio atribuído pelo estado, que lhes garante a subsistência. “Há muita coisa neste governo que está mal, como apoiarem pessoas para não trabalharem. Posso dizer que neste momento tenho mais pessoas com a idade de quase a irem para a reforma a quererem trabalhar, do que essas pessoas jovens que têm mais vitalidade.”, afirmou Adriano Cardoso.

Apesar do atual contexto de crise económica, esta jovem empresa não sofreu um grande abalo, porque segundo Paula Cardoso têm um proprietário que já trabalha nisto há muitos anos e “quase de olhos fechados”, e manteve a fábrica “sempre a andar”, referindo-se ao seu marido.

De referir que a Lacozinco cresce de acordo com os dados que o seu fundador adiantou ao DD a uma média de 20 a 25 % ao ano, “nos últimos anos”. Este ano o volume de negócios comparando com o ano passado, duplicará. O proprietário também se orgulha de manter as cobranças em dia e de cumprir com os prazos, da mesma forma que gosta que cumpram com ele em termos de pagamentos, pois só desta forma conseguem trabalhar”, confessa.

O facto da construção civil não ter parado foi um fator bastante positivo para esta empresa, de Gaia, visto que o trabalho que produz está diretamente ligado a esta área. A construção, o restauro, pequenas obras em alojamentos rurais e até obras de particulares, influenciam as contas no final. Adriano Cardoso acredita que apesar da crise atual existe bastante dinheiro no nosso país e que quem o tem está aplica-lo da melhor forma. “Há muita gente que sabe investir e eu sei trabalhar.

 O contexto pandémico que assolou o país e o mundo, no último ano e meio, apesar de se ter repercutido em aumento do volume de trabalho da Lacozinco, fez também com que a empresa visse os preços de algumas matérias-primas essenciais ao seu serviço subirem, tal como afirmou Joana Cardoso, ”os materiais tiveram um custo acrescido, e houve e ainda há falta de matéria-prima. A tinta em pó escasseou e sofreu um aumento de preço. O gás subiu, assim como a luz, até o plástico para embalamento. As próprias máscaras que já tínhamos, obrigatoriamente, que usar no dia-a-dia, antes do Covid, estão mais caras.”

 Apesar do encarecimento dos materiais e acessórios a Lacozinco está, neste momento, com um grande volume de trabalho, afirmou Adriano Cardoso.

De referir que todos os clientes da Lacozinco são nacionais, mas que, no entanto, exportam muito para França, Egipto e outros países, segundo nos adiantou Paula Cardoso. “Trabalhamos muito para armazéns e serralheiros e até para particulares”.

Paula acrescentou ainda que, “A construção civil não parou, ou seja, indiretamente nós também não paramos, apesar de não ser aquela fartura, nunca deu para parar. No fundo, de ano para ano temos vindo a aumentar, isto porque, tínhamos uma linha de produção e agora temos duas. Assim satisfaz-se mais depressa os clientes. Para satisfazer a procura, se montássemos uma terceira linha, tínhamos trabalho para a preencher, mas talvez não tivéssemos gente para trabalhar.

Em motivo de curiosidade os proprietários adiantaram ao DD que empregavam, no momento, um funcionário de Arouca.

No que respeita ao nível de popularidade que a Lacozinco possui na região a família realçou ainda, “Sentimos que somos uma empresa muito conhecida aqui, e não precisamos de publicidade porque quem precisa sabe onde nos encontramos, pois Gaia é a zona com mais lacagens.” Orgulham-se igualmente de nunca terem tido acidentes de trabalho graves dentro das suas instalações, pois são sempre os primeiros a chamarem a atenção para as regras de segurança sabendo, melhor que ninguém, “não se deve facilitar”, e os custos que acarretam ter um funcionário magoado sem ser rentabilizado em casa.

Já a pensar um pouco na posteridade, Adriano Cardoso afirmou ao DD que é sua ambição integrar na empresa um engenheiro químico, por forma a deixar a parte mais técnica deste trabalho entregue e assegurada, assim como deseja, igualmente, certificar o trabalho que ali realizam para daí em diante todos os interessados saberem que, “oficialmente trabalham mediante as normas estabelecidas. Isto porque no que toca ao trabalho prático eu só pelo barulho das máquinas consigo perceber se está a funcionar bem ou mal e o que está a falhar.”

Alegaram ainda ao DD que a empresa, e essencialmente Adriano Cardoso, sempre sonhou e ambicionou em ter uma linha de anodização que, no fundo, é um processo eletrolítico, uniforme e controlada nos banhos químicos. O fundador da Lacozinco ainda reiterou que o investimento numa linha deste género pode ficar nas centenas de milhares de euros, contudo, não põem de lado este investimento. “A nossa empresa está a passar para a geração mais nova e tem tudo para evoluir e desenvolver, é um negócio de futuro. E então se arrancarmos com a anodização ainda mais desenvolverá, porque é uma área que na zona pouca gente desenvolve, porque foi caindo em desuso, e onde também falta conhecimento técnico. A anodização é a menina dos meus olhos.”