A corrida em Trail ou corrida todo o terreno, em inglês Trail running, é um desporto que consiste em correr “fora de pista”, por trilhos de montanha ou caminhos secundários, através de montanhas e colinas, cruzando riachos e rios, com subidas e descidas íngremes.

A corrida em trilhos diferencia-se das corridas usuais e da caminhada, pelo facto, de ocorrer em lugares mais selvagens, a maioria das vezes, em terreno montanhoso com declives acentuados onde, continuamente, se sobe e desce. Desta forma, tanto a natureza do terreno como o declive do percurso, além da distância, são características comuns e fundamentais a ter em conta numa corrida em trilhos.

A XV Ultra Trail Serra da Freita foi um evento de Trail Running que se inseriu no Circuito Trail Ultra Endurance ATRP, e que decorreu, naturalmente, na Serra da Freita. Neste evento o atleta pôde aventurar-se pelos “mais belos trilhos” dos concelhos de Arouca, Vale de Cambra e S.Pedro do Sul.

A confraria Trotamontes, em parceria com a Câmara Municipal de Arouca, realizou a já referida XV Edição do Ultra Trail Serra da Freita que decorreu nos passados dias 25,26 e 27 de junho de 2021, em Arouca.

 Esta edição incorporou o Circuito Trail Ultra Endurance da ATRP e foi constituída por quatro provas:

.Elite Trail Serra da Freita 100 km-ETSF100-Circuito Nacional Trail Ultra Endurance serie 150;

.Ultra Trail Serra da Freita 65 Km-UTSF65-Circuito Nacional Trail Ultra serie 100;

.Trail Serra da Freita 29 Km-TSF29-Circuito Nacional Trail serie 100;

.Mini –Trail Serra da Freita 15 Km-MTSF15-Circuito Nacional Trail Jovem;

Esta edição a UTSF teve como coorganizador o município de Arouca, e contou com o apoio dos Bombeiros Voluntários de Arouca, Escola e Montanha, Comissão de Festas de Candal, União de freguesias de Cabreiros e Albergaria da Serra.

Todas as provas enunciadas tiveram como partida e chegada a Escola Secundária de Arouca, na Avenida 25 de Abril.

O DD tentou saber, junto da organização, um pouco mais sobre este mítico evento, o porque do surgimento desta confraria, quais os valores que os movem, como procederam à organização da prova deste ano e quais as perspetivas para o futuro.

José Moutinho Grão Mestre da confraria Trotamontes e diretor de prova este à conversa com o nosso jornal por forma a esclarecer todas estas questões. “A nossa confraria já existe desde os anos 90, mais precisamente, em 1997 nascemos e começamos a dedicar-nos ao mundo das corridas na natureza. Somos a única confraria ligada à atividade na natureza em Portugal”, adiantou.

A primeira edição de uma corrida na Freita foi em 2006 e, desde então, a organização desta achou que devia organizar provas desta natureza e ajudar outras organizações a implementar no terreno as provas de Trail, em Portugal. No fundo, foi a confraria Trotamontes que implementou o termo Trail em Portugal para as corridas deste género.

José Moutinho partilhou com o DD que a primeira inspiração que teve para desenvolver uma prova de Trail em Portugal foi durante uma participação em França numa prova do mesmo género que “gostou muito”. “Consegui fazer isto na Freita, em 2006, que já era um local para onde eu ia treinar. Durante 4 anos fui a França para aprender.”

Conforme José explicou têm de existir um mínimo de características para uma prova de trail ter esta designação como evitar estradas, ou seja privilegiar caminhos naturais, evitando estradões.

A confraria Trotamontes é da Maia, no entanto, tem uma forte ligação a Arouca. “ eu e um colega meu já falecido que era o Salvio Nora andávamos à procura de um trajeto que pudéssemos treinar para corridas de montanha, e ele tinha um cunhado de Arouca que era veterinário, este indicou-nos a estrada que ia do centro de Arouca “às antenas” que era muito parecido com o trajeto da corrida Manteigas Penhas Douradas, por estrada. Nós adoramos a vista e as paisagens e começamos sempre a treinar aqui e a realizar eventos aqui. Foi aqui que começou a nossa relação com Arouca há vinte anos atrás.”

De relembrar que esta confraria só está ligada à corrida Trail e mais nenhuma modalidade. “ A própria confraria começou a agir como se isso (corridas) fosse uma missão, não olhávamos só para o nosso umbigo. Achamos que o método seria em frente, criar células em todo o país com organizações e criar provas para se começar a dinamizar esta modalidade de trail.

José Moutinho também confessou que não foi fácil trazer as pessoas do mundo da corrida em estrada para o mundo da corrida no monte. “As coisas, no entanto, foram-se alterando e começamos a ter uma aderência cada vez maior.”

O ano passado, altura em que eclodiu a pandemia de Covid-19, esta organização não realizou qualquer tipo de prova. Só este ano organizaram a primeira prova, em muito tempo, que foi a Freita. “Esta edição já estava planeada há quase três anos, porque era a XV edição e era especial. Só transitamos os eventos, o que tínhamos para 2020 passou para 2021 e o que estava planeado para 2021 passou para 2022.”

Segundo o Grão-mestre a adesão ao evento, mesmo com as condições epidemiológicas que temos instaladas, foi um sucesso porque as pessoas estavam a necessitar de estar em contacto com a natureza. “Já tínhamos uma certa fama mas este ano a afluência aumentou imenso, porque uma coisa é treinar e outra bem diferente é envolvência e o ambiente de competição que o atleta já estava habituado, deixou de ter e já sentia uma grande necessidade de voltar a experimentar.

Para José Moutinho estas foram as principais razões para a grande adesão, este ano, apesar do organizador acreditar que, se não estivéssemos em pandemia, as inscrições teriam sido ainda em maior número, chegando mesmo a admitir que Trotamontes “teve de recusar muitas inscrições por causa do controlo da lotação permitida”.

Relativamente às faixas etárias que podem concorrer a estas provas, o organizador adiantou que estas provas são dirigidas, principalmente, à faixa etária de maiores de 18 anos. “Temos 4 provas, 2 para pessoas muito experientes e mais 2 para pessoas menos experientes, uma prova é de 100km, outra de 65, uma de 29 e outra de 15. As três primeiras têm características mais exigentes e mais técnicas com uma taxa de esforço mais elevada, a prova de 15 km é aquilo que eu chamo de Trail, tentamos fazer uma prova muito bonita, passando por paisagens com muito verde. A última parte quisemos que fosse um troço comum às quatro provas, que estava situada mais abaixo da descida do alto da serra até a Arouca. A faixa etária dos atletas mais experientes andarão entre os 35 até aos 45 anos de idade.”

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