A ascensão extremista, os populismos, o racismo, a desigualdade de género, a discriminação de minorias, a exclusão social, a xenofobia, o discurso do ódio, a intolerância pela origem social, pela identidade de género ou pela religião, raça ou etnia são apenas algumas das marcas mais visíveis de uma sociedade que se tem polarizado a um ritmo vertiginoso.

O início do século XXI ficou marcado por uma explosão tecnológica onde vimos o acesso às novas tecnologias ser massificado e simplificado sendo, por isso, percetível que hoje o acesso à informação seja maior e estejamos expostos a conteúdos que nem sempre conseguimos controlar e que nos condicionam na ação diária, demonstrando que nem sempre informação significa conhecimento.

A globalização trouxe e trará um conjunto de oportunidades de desenvolvimento económico e social, permitindo o alargar de horizontes e a aquisição de novas competências, acarretando, também, um conjunto de obstáculos como a proliferação das fake news, o aumento dos fenómenos relacionados com o terrorismo, o populismo ou o agudizar das crises financeiras e climáticas a nível mundial, situações que têm acendido os debates entre o poder político e a sociedade civil, com consequências diretas no presente e futuro de crianças e jovens, exigindo-se, agora, medidas concretas que lhes deem uma resposta concreta, a fim de ultrapassar e prevenir os efeitos negativos destes perigos nas suas vidas.

As crescentes ameaças do mundo atual, com populismos e extremismos alicerçados em notícias falsas, em que se rejeita liminarmente o pluralismo, atacando minorias vulneráveis num desequilíbrio de forças gritante, assente, não raras vezes, numa má estratégia de comunicação, dão-nos uma falsa sensação de conhecimento provocada pelo excesso de informação, nem sempre verdadeira e fidedigna, que nos assombra a cada passo que damos.

É neste contexto que as redes sociais assumem particular relevância devendo ser encaradas como espaços dinâmicos e de oportunidades, geradores de novas possibilidades, capazes de melhorar a comunicação dos conteúdos, facilitando o seu acesso e construindo novos espaços de participação cívica e democrática, desde que usados de forma consciente.

Falamos demasiado, achamo-nos donos da razão e do conhecimento, criticamos todos os que pensam diferente, mas não apresentamos soluções válidas. Não somos capazes de ouvir, perdemos a noção da empatia, refugiamo-nos atrás de aparelhos eletrónicos que nos dão uma sensação irrealista de domínio, de prepotência e de impunidade.

Hoje, mais do que nunca, exigem-se cuidados adicionais com as explicações e julgamentos rápidos que se assumem como globais e inequívocos. Saber ouvir sem culpabilizar, ser capaz de se colocar no lugar do outro e dar o benefício da dúvida, ser pragmático e não atacar tudo o que mexe só porque mexe ou ser capaz de opinar de forma construtiva e não destrutiva são características que estão ao alcance de todos, basta que queiramos ser e fazer diferente.

É legitimo discordar, é compreensivo que estejamos zangados, saturados e revoltados com muitos dos contextos socioeconómicos que vivenciamos, por exemplo, mas não podemos querer expressar insatisfação ou descontentamento com atitudes consideradas anti-sistema, mas que mais não são do que atentados contra a democracia, com tendências autoritárias e totalitaristas.

Não queiramos toldar o pensamento de quem nos rodeia com falsas promessas que apenas lhes dizem o que eles querem ouvir num momento de fragilidade. Não tentemos dar eco ao descontentamento com uma mão cheia de nada.

É necessário discutir ideias e pontos de vista para compreender a realidade e os seus contextos, para descobrir a razão pela qual as pessoas estão zangadas e debater com elas, saber comunicar, construindo soluções conjuntas que salvaguardem o bem-estar de todos e de cada um, numa ação contra o egoísmo e o egocentrismo.

Uma aposta na capacitação para o conhecimento, na desconstrução do racismo sistémico da nossa sociedade, dos populismos bacocos e dos extremismos infundados precisa-se!

Hoje, mais do que nunca, devemos reforçar o nosso sentido de cidadania e de pertença comunitária, cuidando uns dos outros. Precisamos de proteger a nossa democracia!

Cátia Camisão