O Dia Mundial da Consciencialização da Violência contra a Pessoa Idosa foi criado, em 2006, pelas Nações Unidas (ONU) e pela Rede Internacional de Prevenção à Violência à Pessoa Idosa (INPEA), com o objetivo de promover uma reflexão social e acabar com a violência contra as pessoas idosas.

A problemática da violência e do abuso sobre pessoas idosas é tida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um dos principais problemas de saúde pública, do mundo. Devido ao envelhecimento demográfico, tem ganho maior visibilidade social e, numa tentativa de diminuir esta problemática, várias organizações internacionais como a OMS, a ONU e a Comissão Europeia (CE), têm definido estratégias e planos de ação, nas suas agendas políticas.

Um estudo de 2017, baseado em 52 estudos, em 28 países, estimou que nesse ano 15,7% das pessoas com mais de 60 anos, foram sujeitas a uma forma de abuso. Esta taxa encontrar-se-á muito subestimada pelo facto de apenas 1 em 24 dos casos de abusos contra pessoas idosas serem denunciados às autoridades, em parte porque as vítimas têm receio, medo ou vergonha de denunciar abusos de familiares e amigos.

Em Portugal

Num dia, em Portugal, 4 pessoas idosas foram vítimas de violência.

A APAV, registou em 2020, 1629 pessoas idosas vítimas de violência. O perfil da vítima é mulher, com uma média de idade de 76 anos e o perpetuator de violência tem uma relação de afinidade de pai/mãe e/ou cônjuge. Estes dados, já alarmantes, podem esconder uma maior prevalência, devido à existências de outras entidades que prestam apoio/recebem sinalizações e pelo facto da comunidade não estar sensibilizada para a necessidade de sinalização, e por as próprias vítimas nem sempre procurarem ajuda. 

Urge uma ação conjunta entre entidades e comunidade, na definição de estratégias de prevenção e atuação, em caso de violência sobre as pessoas idosas.

Mais do que nunca é necessário estar alerta!

Texto: Mariana Letra