O prazo para limpeza de terrenos florestais terminou no último dia 15 de maio após ter sido prorrogado, devido à pandemia, e às alterações climatéricas. Os proprietários que estivessem em incumprimento, a partir dessa data, podiam ficar sujeitos a coimas que variavam entre 280 e 120 mil euros.

No âmbito da campanha “Floresta Segura 2021”, a GNR identificou cerca de 14.097 locais de possível incumprimento onde os distritos de Aveiro Braga, Coimbra, Castelo Branco, Leiria, Viseu e Vila Real saíram destacados.

“As especiais dificuldades criadas pelo ambiente pandémico condicionaram os trabalhos de gestão de combustível, em cerca de 94% do território nacional”, alertou a GNR à Radio Renascença.

Quando questionada pelo DD, como responsável máxima da Proteção Civil em Arouca, de como é que se está a preparar a época de possíveis fogos que se aproxima, Margarida Belém, adiantou que “esta preparação tem sido feita em estreita colaboração com os Bombeiros Voluntários de Arouca e com as demais entidades da proteção civil.”

Adiantou ainda, que têm efetuado uma gestão das faixas de combustível na rede viária municipal e na envolvente das zonas industriais, na manutenção dos pontos de água de combate a incêndios e na beneficiação de caminhos de rede viária florestal, sem esquecer o trabalho dos particulares.

No que respeita a medidas inovadoras, no que a esta matéria diz respeito, a edil afirmou que a Câmara Municipal de Arouca tem vindo a funcionar, no âmbito de um projeto promovido pela Àrea Metropolitana do Porto, em uma rede de vídeo vigilância por forma a prevenir incêndios florestais, que possibilitará uma maior vigilância da área florestal, diminuindo as denominadas áreas de sombra e permitindo assim uma primeira intervenção mais precoce.

“Uma das nossas preocupações foi agir o mais cedo possível em caso de incêndio. Assim, para além do sistema de videovigilância acima referido, teremos também a funcionar uma segunda equipa de intervenção permanente, que entrou em funções a 1 de junho corrente.”, adiantou Margarida Belém.

Quando questionada sobre a possibilidade de contratação de mais técnicos para as funções envolventes da proteção civil, MB salientou que “ Todos somos agentes de proteção civil, pelo que é fundamental que cada um de nós deva fazer o seu papel no que concerne à prevenção de incêndios florestais.”

Por fim reforçou que é sempre possível melhorar a Proteção Civil do nosso concelho, no entanto, as alterações climáticas são uma preocupação, ”configurando-se atualmente como a maior ameaça ambiental que enfrentamos. Desta forma, a necessidade de intervenção como forma de mitigação dos seus efeitos e a adaptação local assume-se como uma prioridade a nível municipal, pelo que dispomos de uma Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas, cuja operacionalização se encontra em curso.”

Bombeiros Voluntários de Arouca

Segundo José Gonçalves, comandante dos Bombeiros Voluntários de Arouca, “A preparação da época de fogos, hoje em dia, é uma questão diária. Temos tido incêndios durante todo o ano, incluindo nos meses de inverno, alguns em dias de temperaturas negativas. Este ano contamos com a implementação de uma nova Equipa de Intervenção Permanente que iniciou funções dia 01 de junho, numa parceria entre Bombeiros de Arouca, Município de Arouca e Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. São assim duas equipas EIP, de cinco elementos cada, no nosso Corpo de Bombeiros neste momento. Contamos igualmente com o habitual dispositivo inserido no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais, que compreende até 12 elementos em prontidão 24 horas. Estará igualmente ao serviço um novo Veiculo Tático Tanque, adquirido pela Associação dos Bombeiros Voluntários, com capacidade de transportar 10.000 litros de água. Ao nível da formação, os nossos Bombeiros tem participado em diversas ações com incidência na temática dos incêndios florestais, algumas ministradas pela Escola Nacional de Bombeiros e outras pela Associação Florestal de Entre Douro e Vouga. “

O comandante acrescenta que têm colaborado igualmente com o Município de Arouca na verificação dos pontos de abastecimento de água para os meios aéreos, e também reportando necessidades de intervenção e de sinalização de caminhos com necessidade de limpeza e melhoramentos.

“Nos últimos anos temos assistido a grandes melhorias ao nível do ataque inicial dos incêndios rurais. Ao primeiro minuto são logo despachados todos os meios em prontidão no Corpo de Bombeiros da área. São igualmente enviados meios de mais três corpos de bombeiros em triangulação e ao também está previsto o empenhamento de 2 meios aéreos de ataque inicial (helicópteros). É na primeira intervenção que devemos concentrar todas as forças. “, afirma JG.

Por fim o comandante quando questionado sobre o que pode ser melhorado na Proteção Civil para que cada vez menos floresta seja consumida e menos vidas ceifadas, acredita que antes de se atribuir a culpa aos intervenientes do combate do fogo deve-se perceber que estes falham porque antes deles já outros pilares falharam como o da Prevenção Estrutural e Operacional.

“Há necessidade de uma maior aposta na prevenção, no ordenamento florestal, na limpeza de acessos florestais, na manutenção das faixas juntos dos aglomerados populacionais, mas sobretudo há necessidade de fazer a floresta ser, ela própria mais resiliente.”

*Reportagem completa na edição em papel disponível amanhã nos pontos de venda;