Passado quase um mês após a abertura da ponte “516 Arouca”, Margarida Belém Presidente da Câmara Municipal salienta que, “A 516 Arouca está a ter um forte impacto mediático a nível nacional e internacional, com alguns dos mais destacados órgãos de comunicação internacionais a deslocarem as suas equipas ao terreno para fazerem a cobertura deste verdadeiro prodígio da engenharia nacional. Este interesse também se tem notado na elevada afluência de visitantes, em particular aos fins-de-semana, registando-se vários dias e ou horários de visita esgotados. Este impacto é também facilmente observável na nossa vila, que voltou a encher-se de visitantes. É importante contudo relembrar que, tal como acontece nos Passadiços, a ponte também tem um limite diário de visitantes (500 pessoas) porque é fundamental garantir a segurança e qualidade da visitação”.

Por forma a ter noção do impacto que esta infraestrutura turística obteve no concelho de Arouca a nível de afluência turística, preparação logística dos restaurantes, empresas de desportos radicais ou alojamentos de turismo rural o DD decidiu ouvir o feedback de algumas empresas de Arouca, ligadas ao setor, para ficarmos a saber como têm corrido os primeiros dias de abertura ao público desta infraestrutura.

Restaurante Zé Mota

Rui Silva proprietário do Restaurante “Zé Mota” aponta que durante a fase de confinamento, na qual estiveram fechados três meses, gastaram “o que tinham e o que não tinham” para conseguirem manter os seus compromissos em dia. Afirmou que o seu maior obstáculo foram as poucas ajudas do estado, (ou quase nenhumas), que tenderam a chegar tarde.

A abertura após lockdown correu para este espaço de restauração “dentro do esperado”, com uma afluência moderada. “Desde a abertura da ponte 516 Arouca que aumentou a afluência de clientes em que a maioria são de fora do concelho e do estrangeiro.”, salientou Rui Silva.

O proprietário destaca que se não regredirem a nível de pandemia, vai aumentar a procura pelo seu espaço, e que dessa maneira “têm que se preparar para acolher os visitantes da melhor maneira possível, nunca esquecendo as regras dos espaços para que os visitantes possam desfrutar das refeições com tranquilidade e segurança.”  

Clube do Paiva

A empresa Clube do Paiva- The River Experts nasceu há 17 anos, em Alvarenga, nas margens do Paiva, e desde então realizaram atividades tais como Rafting, Canyonig, River Trekking, Passeios de Canoa e Tubbing no Rio Paiva e seus afluentes.

Rafael Cecílio Soares proprietário da empresa afirma que não nota grandes diferenças no número de clientes que procuram o clube do Paiva após a abertura da ponte, porque este acontecimento coincide com o desconfinamento. Ou seja fica difícil de perceber se o número crescente de pessoas que os procuram acontece porque o está a ocorrer o desconfinamento ou porque a “516 Arouca” abriu ao público.

No respeita às possíveis adaptações que pudessem ocorrer a nível logístico/equipamento devido à inauguração e possível aumento de turistas, Rafael afirma que pandemia obrigou-os a reforçar as medidas de segurança e higiene que já aconteciam e realizavam nos seus equipamentos, mas a Covid-19 forçou o Clube do Paiva a ter esses cuidados mas as pessoas, nomeadamente, a “lotação de pessoas por barco que se faz conforme a normas da DGS e a higienização que fazíamos e continuamos a fazer, assim como o reforço de uso da máscara e a disponibilização de álcool gel durante o transporte”.

No que toca ao número de pessoas por barco antes da pandemia o clube do Paiva reunia, por barco 7 pessoas mais o guia, neste momento, limitam-se a transportar 4, 5 ou máximo 6 pessoas, por barco.

De salientar que, nesta altura do ano, a empresa de desportos radicais ainda só opera o rafting, no entanto, vão começar a realizar trekking e o canyoning e passeios de canoa. Isto porque todas as atividades aquáticas e ao ar livre, como o DD apurou, são consideradas de baixo risco. Rafael afirma que os clientes que receberam no ano passado foram maioritariamente portugueses, “porque não estavam permitidas as viagens internacionais”. “ Desde que voltaram a ser permitidas as viagens internacionais voltamos a ter estrangeiros, mas num número bastante reduzido.” “Felizmente”, segundo Rafael, os arouquenses têm vindo a aparecer mais e a procurar mais os desportos radicais.

Apesar do aumento considerável na afluência de turistas, após a abertura da ponte “516 Arouca”, os números ainda não igualam o pré pandemia o que prova que esta crise sanitária afetou bastante estas empresas, mesmo em zonas com grandes inaugurações, como é o caso de Arouca. “Os números atuais apesar de andarem próximos dos de 2019, ainda não os atingem.”

Quando questionado relativamente ao possível impacto ambiental que a infraestrutura possa ter a nível ambiental para o Rio Paiva e para a Fauna e Flora presentes, o instrutor realça que não espera um grande impacto, “felizmente não, pois houve um impacto negativo muito grande em 2015, quando ocorreu a abertura dos passadiços e não havia controlo de entradas. Após o incêndio a lotação foi diminuída, até que chegou a 2000 pessoas por dia. Ou seja como os números estão controlados, há a possibilidade dessa situação estar resolvida.”

Casa do Soutinho-Casa de Turismo Rural

A Casa do Soutinho é um Espaço Rural-Casa de Campo, situada na freguesia de Alvarenga, no concelho de Arouca, a 20 km do centro de Arouca.

É certo que a hotelaria e os alojamentos de turismo Rural sofreram um duro golpe com a pandemia, tendo sofrido sucessivos lockdown`s e medidas restritivas nos últimos tempos. A Casa do Soutinho como alojamento de turismo rural teve também de se adaptar. “ Estamos abertos ao público desde dia 1 de agosto de 2019, ou seja, permanecemos pouco tempo abertos, visto que em março de 2020, quando já estávamos a receber hóspedes, tivemos de fechar. “, refere a porta-voz da empresa Just Come, empresa proprietária e responsável pela Casa do Soutinho.

Este turismo Rural tem uma capacidade de lotação limitada, mas já possui uma funcionária a tempo inteiro, que entretanto entrou em lay off, até maio de 2020. Apenas no final de maio começaram a aparecer reservas, ”mas muito poucas, junho e julho foram um pouco melhor. O mês de agosto de 2020 foi muito bom, e o setembro também não foi mau, mas já houve uma queda devido ao surto que existiu em alvarenga, no lar.”

No entanto, desde que a ponte foi inaugurada, o espaço tem estado a funcionar muito bem. De relembrar que quando o proprietário adquiriu o terreno, no ano 2012, que viria a ser a futura “Casa do Soutinho”, não se falava sequer em ponte Suspensa ou Mesmo de Passadiços, ou seja, a idealização deste projeto não contava com uma possível beneficiação a partir dos turistas que afluem a estas duas infraestruturas.

 No entanto, a Casa do Soutinho, como refere a porta-voz da Just Come, está “muito bem situada a cerca de 1 km do pórtico de Alvarenga e as pessoas podem visitar a ponte a pé sem sequer pegar no carro”, tendo até uma vista privilegiada desde a sua piscina até ao vale do Paiva, e até uma parte da ponte se pode avistar. A Casa do Soutinho notou, após a inauguração da “516 Arouca”, um maior número de turistas interessados a contactá-los, “foram inicialmente portugueses e agora já estamos a receber espanhóis e também alemães. Ou seja, estrangeiros que vivem em Portugal por períodos de tempo, ao longo do ano, e até mesmo com residência em Portugal. Arouquenses temos poucos.”

No que respeita a alterações ao nível do espaço e em recursos humanos, com o aumentar da afluência, a porta-voz da empresa confessou ao DD que já tiveram de aumentar recursos humanos, pois já contrataram mais uma funcionária, este ano. “E vamos ainda aumentar o terreno envolvente, que é nosso, onde temos bastante espaço e por aí vamos aumentar a nossa capacidade no próximo inverno. Temos de ter cautela para não darmos o passo atrás, para isso temos o selo do “clean and safe” e tentamos fazer tudo para garantir a segurança dos nossos funcionários e clientes.”

Clube do Paiva
Casa do Soutinho