O conceito “sociedade 5.0” começa a tornar- se cada vez mais uma realidade no nosso tempo, apesar de ainda um pouco discreta, ao contrário do que sucedeu com o termo “Indústria 4.0”. Esta revolução, que parte do Japão para o mundo, promete mudar, radicalmente, a nossa sociedade para um bem maior, a humanidade.

A grande diferença reside no facto de a “Indústria 4.0”, ou a Quarta Revolução Industrial, ser impulsionada pelas tecnologias inovadoras – smartphones, tablets, computadores portáteis ligados pela Internet fazendo com que a população viva “online”- que promovem profundas transformações quer nos sistemas de produção quer nos modelos de negócio enquanto que a “Sociedade 5.0” procura posicionar o ser humano no centro da inovação e transformação tecnológica.

Esta modificação só fará sentido se cumular a humanidade de esperança. A construção da base da esperança futura alicerça-se em elementos que favoreçam o diálogo. O primeiro elemento, fundamental para a vida, é o amor. É impossível o diálogo se não há um profundo amor ao mundo e aos homens, como afirma o pedagogo Paulo Freire. O Amor é diálogo. Continua, “se não amo o mundo (ecologia), se não amo a vida, se não amo os homens, não me é possível o diálogo”. Amar é agir, ação. A outra base fundamental é a esperança. Não existe esperança sem diálogo. Entenda-se esperança não como “esperar sentado”, sem inércia, mas é condição de prática, ação, luta. O diálogo é um encontro entre pessoas; ajuda a identificar as preocupações comuns e promove a construção de uma humanidade mais ampla e solidária.

Esta revolução silenciosa humanizadora que pretende a “sociedade 5.0” só é possível se propagar a solidariedade. Só assim nos tornamos melhores, mais justos e humanos neste tempo de incerteza. Mais do que nunca fazem sentido projetos de solidariedade e voluntariado, promovendo, assim, o desenvolvimento pessoal, social e cultural dos cidadãos tornando-os parte da cidadania ativa e comprometida neste mundo que ainda tão pouco tem de solidário.

Como proclamou o Papa Francisco, uma semana após de se tornar Papa, “não esqueçamos jamais que o verdadeiro poder é o serviço (…) e acolher, com afeto e ternura, a humanidade inteira, especialmente os mais pobres, os mais fracos, os mais pequeninos. (…) Apenas aqueles que servem com amor são capazes de proteger!”

A educação para a solidariedade será o caminho a seguir para estreitar a distância entre povos e ser fator determinante para o desenvolvimento fundamental da sociedade e do mundo. Só ela poderá mudar consciências e mudar o mundo.

A solidariedade está presente na História da Humanidade, ou seja, na história pessoal de cada homem e cada mulher na indagação de um sentido para a sua existência. É uma forma privilegiada de realização da pessoa humana, na sua totalidade.

Texto de Carlos Matos