Recentemente foi inaugurada a Ponte 516 Arouca, sendo agora o tema de momento e discussão se a mesma é maior/menor, mais/menos bela que a Nepalesa. Penso que se tratam de discussões fúteis para a maioria dos Arouquenses, onde me incluo. Está construída, seja consensual ou não, temos que a potenciar e fazer com que o retorno seja aplicado naquilo que julgo ser fundamental para o desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida dos arouquenses.

No entanto, não teria sido de menos importante ter acautelado, até porque foi um caminho longo e a experiência inicial dos passadiços assim o demonstrou, a necessidade de construção de estruturas e acessos, estacionamentos, wc’s, etc…Era perfeitamente previsível, pois vivemos num mundo mediático, onde simples baloiços por essas vilas fora, atraem centenas de pessoas em peregrinação.

Destarte, será importante criar um modelo de gestão que tenha em linha de conta o equilíbrio e impacto ambiental, o respeito pela natureza e contribua para investimentos em prol da melhoria das condições de vida das populações locais e dos restantes residentes do concelho, assente sempre em princípios de coesão territorial.

Importa que não se torne na tentação de um brinquedo novo e um sorvedouro de dinheiro em detrimento de outros espaços do concelho. Importa não esquecer a agricultura e a floresta, os rios, as acessibilidades tão necessárias aqueles que se mandam madrugada fora pela estrada todos os dias para o trabalho ou que definitivamente partem. Sim, a preocupação deve ser em primeira instância esses, os que não andam nas redes sociais, mas que lutam silenciosamente em busca de melhores condições de vida. Importa não esquecer os empresários que lutam em condições desproporcionais com os seus colegas do litoral onde já por si só é difícil ser competitivo quanto mais “carregando” as debilidades do território. Importa atender aos jovens que se veem, aqui, completamente vedados pela inexistência de habitação ou com custos praticamente proibitivos.

Ou ainda, os que necessitam de saúde e que sentem a agonia de cada curva, clamando para esta seja a última.

Sim, ou o preço da água ou falta de saneamento que não respondem nem de longe nem de perto ao interesse e à carteira dos residentes.

A Ponte de que falo é grande e só terá sucesso e grandeza, se conseguir mitigar estas dicotomias e aproximar a margem que nos separa dos que melhores condições de vida têm, tendo de ser obrigatoriamente esse o nosso desígnio.

Texto de Vítor Carvalho