“Um ano, três meses e oito dias depois voltamos a subir ao palco, a 16 de Maio de 2021, precisamente no mesmo sitio onde atuamos pela última vez antes da pandemia, no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Bonfim, no Porto. É um dia há muito ansiado”, começou por dizer, em declarações ao Discurso Directo, João Paulo Brandão, presidente do Teatro Experimental de Arouca (TEA).

O grupo regressa aos palcos com a peça ‘Remédios e Santos’, deixando para trás vários cancelamentos, que entretanto foram reagendados, como é o caso da participação nos Encontros de Teatro do grupo ‘Os Arautos – Grupo de Arte e Cultura de Esmoriz’; do 40º Encontro de Teatro ‘Plebeus Avintenses’, em Avintes, Gaia; Na ‘Flor de Aldriz’, em Argoncilhe e o espetáculo integrado no projeto da ADRIMAG ‘Arouca Incluí’.

João Paulo Brandão afirmou que o regresso está a ser preparado “com muita preocupação, expetativa e ansiedade, num regresso que se adivinha lento”: “Tudo o que éramos e somos é a negação do que vivemos atualmente. A máscara que muitas vezes usamos em teatro deixa transparecer o que nos vai na alma, por outro lado, a máscara que usamos atualmente fruto da pandemia, esconde-nos o rosto, a emoção….o que não podemos fazer agora: a proximidade do outro, as concentrações era o que nos definia e agora estamos impedidos de continuar esse modelo de representação, que criava uma empatia natural entre o artista e o público”.

Segundo o presidente do TEA, os ensaios “não têm sido muitos e são com muitas restrições”. “Só ultimamente é que voltamos para regressar aos palcos. A nova peça, que deveria ter estreado no FARA de 2020, em Junho, ficou parada. O texto está pronto e começamos agora a preparar figurinos e cenários e os ensaios, se a evolução pandémica for favorável, começarão em breve”, disse.

Regresso aos palcos e efeitos da pandemia

Depois de um ano parados, João Paulo Brandão referiu que a expressão que mais se ouve nos ensaios é “já sentia falta disto”. Contudo, apesar do sentimento de satisfação, existem também “algumas reservas por sabermos que não poderá ser nos moldes habituais e que nos caraterizam. É um recomeço, que queremos acreditar, progressivamente vai voltar ao normal”.

O presidente do TEA foi perentório ao afirmar que a pandemia veio afetar em muito o trabalho desenvolvido pelo grupo: “de repente tudo se eclipsou! O TEA estava em vários projetos, em palcos diferentes. Estávamos em velocidade cruzeiro: o FARA – Festival de Artes de Rua de Arouca, um dos grandes projetos do TEA, que traz às ruas de Arouca vários espetáculos de arte circense, teatro, música, dança, de vários continentes estava a ser preparado e já com contratos fechados. A parceria com a Escola Secundária de Arouca no âmbito do Plano Nacional de Artes tinha acabado de receber uma formação em Estátuas Vivas para os alunos do curso de Animação com vista à participação no FARA. A parceria com a ADRIMAG no projeto “Arouca Inclui”, tem vindo a ser adiada sucessivamente. Os meses anteriores à pandemia foram muito intensos – para além das participações, no Festival da Castanha, Recriação Histórica, Mercado de Natal, a rodagem da peça em vários locais dentro e fora do concelho, participamos ainda no filme de Luís Ismael – “1618”, com 16 figurantes, que nos proporcionou uma experiência diferente. E de repente nada! A principio o sentimento foi de negação, mas depressa nos apercebemos que nos teríamos que adaptar e foi o que fizemos. Participamos na Recriação Histórica em filme e na Feira das Colheitas e Festival da Castanha também num registo online”.

João Paulo Brandão terminou a referir que a pandemia deixou o grupo mais “forte, versátil, faminto de palco” e inspirado para muitas e diferentes cenas. Disse ainda que as expetativas são de que “ainda nos vamos rir muito de toda esta situação. Esperamos que o regresso ao passado seja rápido”.

Fotos: TEA