Como ocorreu a reabertura deste evento para feirantes e arouquenses

No passado dia 20 de abril, terça-feira, realizou-se a feira quinzenal, permitida pelo despacho que Margarida Belém lançou a 7 de abril de 2021. A feira decorreu das 8h:00h às 16:00h e apenas foi permitida a permanência de 2 pessoas (no máximo), em cada banca. O uso de máscara foi obviamente obrigatório, assim como o distanciamento físico de 2 metros. As regras de higienização das mãos e a etiqueta respiratória foram e são outras das regras a cumprir pelos clientes.

A feira quinzenal tem uma inquestionável função económica e social para o setor retalhista, para as localidades e para os cidadãos e é, sem dúvida, um importante apoio para a economia local. O Discurso Directo esteve no local para saber como ocorreu a reabertura para feirantes e cidadãos, saber a opinião de quem visitou ao nível de regras sanitárias e os produtos que estava a fazer mais falta aos arouquenses, com a ausência da feira quinzenal. Obviamente também se procurou obter o feedback dos feirantes ao nível de paragem da atividade feirante e dificuldades para manterem o negócio a “funcionar”.

Feirantes

Carlos CDS-Hortícolas

Carlos CDS feirante de Hortícolas revelou que,” para começar”, teve boa convivência com as pessoas, pois estas estavam a entender a situação pela qual estamos a passar, e que esta reabertura estava a ser muito boa para o concelho. “Faço 16 feiras por mês todas elas importantes, mas esta acima de todas pois é do nosso concelho e nós somos daqui. As pessoas estão a entender que têm de respeitar e para já está a correr muito bem, todas as pessoas estão mais cuidadosas e nós também.”

Carlos CDS acabou por adiantar que as medidas impostas para os feirantes relativamente à paragem deste evento, a seu ver, não foram injustas pois caso essas restrições não fossem “colocadas”, depois iriam começar do zero e assim foi melhor calculado.

Jorge Alves-Vestuário

Jorge Alves feirante de Vestuário faz cerca de 24 feiras por mês e não tem outra atividade, ou seja, tem de realizar esta atividade para sobreviver. “A feira de Arouca era essencial porque era realizada duas vezes no mês e metia muita gente.”

O comerciante salienta a boa organização na reabertura, e ainda considera que as pessoas estão a respeitar muito. “Não considero que foi injusto que a feira só agora tivesse reaberto pois, principalmente nas “barracas de roupa barata”, junta sempre muita gente. Se toda a gente cumprir é bom para o negócio e para a sociedade.”

Aníbal Vieira-Cestaria

“No nosso regresso pessoal não tem faltado, mas para comprar é que está mais difícil. Esta paragem afetou bastante os hábitos de compra das pessoas que agora estão mais contidas.”

O comerciante de cestaria só realiza esta feira e a de Castelo de Paiva, pois confessou que o negócio está cada vez a baixar mais. No que respeita aos cuidados que as pessoas e feirantes estão a adotar Aníbal Vieira acha que existem bancas que podiam ter mais cuidado no controlo mas não especificou quais.

“Acho que no dia 5 a feira já podia ter reaberto, não percebi o porquê da da Senhora Presidente ao tomar essa decisão.”

Manuel Matos-Sapataria

O feirante Manuel Matos confidenciou que o regresso à feira da Arouca está a ser normal. Acredita que é uma feira importante, porque é sempre mais uma que fazem. “As pessoas ainda estão reservadas, não há muita afluência. Mesmo aquele pessoal lá de cima da Serra da Freita nem sequer se vê.”

Segundo o feirante há vários hábitos que vão desaparecer e se calhar muitos dos clientes antigos vão desaparecer da feira.” Isto é mau para toda a gente porque o cliente não vindo a Arouca não vai à padaria, peixaria, drogaria etc.”

Os pais de Manuel Matos já eram feirantes e este já trabalha nisto há muito tempo, ou seja, é o seu único “ganha-pão”. No que toca à pandemia após ser questionado se iremos regredir para um novo encerrar de comércio, acredita que não, pois a seu ver está tudo mais normalizado e mais controlado, e à medida que a vacinação for aumentando a “coisa vai-se compor”.

Clientes

Jacinta Conceição, cliente da feira de Arouca há vários anos confessa que “estava cheia de saudades de vir á feira”. Afirma que em particular precisava muito de lãs para fazer casacos e de comprar “roupa de bébé”, pois estes artigos não existem em mais lado nenhum, nas condições que deseja. “Aqui há mais escolha, e foi muito injusto só reabrirem agora, pois já havia de ter sido há mais tempo, não é uma atividade arriscada sendo bem organizada como está.”

Apesar de estar a “adorar” a reabertura, Jacinta Conceição, afirma que faltam muitos feirantes.

*Para ler a reportagem completa consulte a nossa versão impressa.

Carlos CDS-Hortícolas
Aníbal Vieira-cestaria