Uma das infra-estruturas de que Arouca mais precisa é, sem dúvida, um edifício para albergar o Arquivo
Municipal.
Actualmente localizado nas águas-furtadas do edifício dos Paços do Concelho, sem ter condições para
albergar todo o seu valioso espólio, em termos de segurança e conservação, que ao longo dos anos foi
acumulando com a administração do espaço arouquense, e sem condições para quem queira estudar o
passado de Arouca, como qualquer arquivo deve ter.
Os concelhos vizinhos (sem um passado tão grande como Arouca), já têm o seu arquivo municipal, onde
são guardados os documentos respectivos e até, em alguns casos, dos de fora do concelho, como é o caso
de Vale de Cambra, que possui muitas fotografias com imagens do concelho de Arouca, pelo menos.
A Câmara de Arouca, já adquiriu um terreno da parte de trás do edifício municipal, para construir o seu
Arquivo.
É preciso que quando isso se vier a concretizar, se pense em termos futuros, com capacidade para, além
dos “papeis” da administração municipal, possa poder receber muitos mais documentos, que existem em
Arouca, muitos deles de arquivos particulares, que por força das novas condições de habitabilidade que os
seus detentores têm, não conseguem ter espaço para a sua manutenção, indo muitas das vezes, pura e
simplesmente para o lixo.
Quando tal acontece é o colectivo que perde parte do seu passado histórico-cultural, pois todos somos
dependentes uns dos outros e vivemos em comunidade.
Lembramos que o falecido professor Alfredo Gonçalves de Azevedo tinha um importante espólio, tanto
em documentos como em livros, que não se sabe onde o mesmo foi parar, que era muito importante,
principalmente para as freguesias do chamado “fundo do Concelho”. É para se evitar situações dessas que
é importante que se invista nesta estrutura cultural no nosso concelho.
Tem-se gasto muito dinheiro nos últimos anos a destruir para tornar a construir, sempre as mesmas coisas,
de que temos exemplo, entre outros, a pavimentação da avenida principal de Arouca (25 de Abril), que no
espaço de pouco mais de 30 anos já sofreu intervenção de saneamento, electrificação, águas e
saneamento, por três vezes (uma por cada presidente que passou pela autarquia nos últimos anos!). Uma
Câmara constrói e a que vem a seguir destrói e volta a construir…
Agora que vem a “bazuca” da Europa (embora a bazuca seja uma arma de destruição!…) espera-se que a
Câmara que sair das próximas eleições, avance com esta obra de grande necessidade para a preservação
do património arouquense.

Texto de Alberto de Pinho Gonçalves