O Discurso Directo esteve à conversa com o presidente da Junta de Freguesia de Várzea, Humberto Mota. As grandes apostas da junta de freguesia, o balanço do tempo de mandato, as obras planeadas, o estado de desenvolvimento de Arouca e o momento de pandemia que se vive, foram alguns dos temas abordados.

Discurso Directo (D.D.): Que balanço faz do trabalho realizado neste mandato?

Humberto Mota (H.M.): Estamos quase a atingir o final do mandato e apesar da pandemia, estamos conscientes que executamos um bom serviço à população de Várzea, porque conseguimos fazer quase na totalidade os objetivos a que nos propusemos. Além de outras obras já executadas, uma das mais importantes foi o alargamento da Rua Socorrais/Remolha, que era reclamada há muitos anos pelos Varzeenses e que veio dignificar aquele local e a Freguesia de Várzea. Também com a colaboração e empenho da Junta de Freguesia, foi possível normalizar o saneamento no lugar de Pousadouro, que era uma promessa do anterior executivo da Câmara Municipal.

Estamos a trabalhar para a conclusão das obras de requalificação e alargamento na via no lugar de Cedofeita, também o alargamento na rua da Pedra Má e a colocação de novos sistemas de Água Pública e a rede de Saneamento Básico nos lugares de Bacelo e de Jugueiros, que são reclamados pela população há muitos anos e que estão programados para iniciar no próximo mês de Maio.

Está também em curso um estudo prévio para o alargamento do cemitério.

D.D.: Sente que tem os recursos humanos e materiais para desenvolver o seu trabalho?

H.M.: Todos os presidentes de junta sentem que ainda não estão criadas as condições necessárias para que as juntas de freguesia do concelho de Arouca desempenhem o seu trabalho na perfeição e com a dignidade que merecem. Espero que, no futuro próximo, a Câmara Municipal aposte no apoio às juntas de Freguesia que, pela sua proximidade, poderão minorar e resolver alguns dos problemas dos Arouquenses.

D.D.: Qual tem sido a grande aposta da Junta neste mandato?

H.M.: As juntas de freguesia, como instituições de proximidade têm o dever de trabalhar para servir as pessoas. Trabalhamos diariamente para criar as melhores condições de vida e dar aos varzeenses e a quem nos visita uma imagem de uma freguesia limpa, asseada e organizada. Somos constantemente solicitados por pessoas de outras freguesias, que desejam adquirir terreno para construir em Várzea. Por isso, verificamos um aumento das habitações e consequente aumento do número de habitantes.

D.D.: Face a atual pandemia, como é que a Junta de Freguesia está a apoiar a comunidade?

H.M.: Desde o início da pandemia que a junta de freguesia manteve sempre a população informada, com os cuidados a ter para combater a Covid-19, colocando informação em todos os locais da freguesia, explicando às pessoas como deveriam atuar e como utilizar corretamente os EPIS (Equipamentos de Proteção Individual). Mantivemos contacto permanente com aqueles que ficaram doentes e prestamos todo o tipo de apoio quando solicitado. Felizmente em Várzea existiram poucos casos.

D.D.: Como vê a dinâmica associativa na freguesia?

H.B.: As associações são uma mais valia para as freguesias, porque desempenham um papel de extrema importância, com as suas atividades de caráter cultural, recreativo, desportivo e social. Infelizmente com a pandemia não foi possível ao Grupo Desportivo e Recreativo de Várzea e ao Grupo de Jovens, dinamizarem as atividades previstas no plano.

Várzea ficou mais rica com a entrada de uma nova associação cultural, o Centro de Arqueologia de Arouca, que tem a sua sede em Várzea.

D.D.: Como tem sido a articulação com a Câmara Municipal?

H.M.: A articulação com a Câmara Municipal tem funcionado normalmente, porque são duas instituições que trabalham com o mesmo objetivo, desenvolver Arouca e melhorar as condições de vida dos arouquenses. Apesar de por vezes existirem avanços e recuos, a Câmara e a Junta são obrigadas a estar em sintonia para que o desenvolvimento seja uma realidade, foi para isso que fomos eleitos pelos Arouquenses.

D.D.: Que balanço faz do trabalho deste Executivo Municipal?

H.M.: A srª presidente tem tentado quase tudo para melhorar a qualidade de vida dos Arouquenses e, apesar de ter colocado Arouca na rota do turismo nacional e internacional, terá que abrir o leque de opções noutras áreas. Como por exemplo apoiar a captação de novas indústrias, para que Arouca se possa consolidar em matéria económica e permitir a criação de emprego, para a fixação dos nossos jovens e tornar a nossa terra mais auto sustentável.

D.D.: Como está a acompanhar o processo de transferência de competências entre a Câmara e as Juntas?

H.M.: A lei de transferência de competências já existe desde 2013, apesar disso ainda não foi implementada em Arouca. A referida lei, além de outras situações privilegia a limpeza de espaços verdes, estradas e caminhos, que são as situações mais complicadas para as Juntas de Freguesia. Provavelmente o valor quantificado para a execução dos referidos trabalhos não será suficiente, por isso é praticamente impossível para a maioria das freguesias.

A Câmara Municipal deveria criar uma verba com algum significado para cada freguesia, para ser possível aos presidentes de junta a execução de pequenas obras, deixando de ser obrigados a incomodar diariamente o executivo para conseguir atingir os seus objetivos e deixando de serem considerados uns ‘pedintes’, como alguns colegas meus muitas vezes referem.

A Srª Presidente tem o dever de procurar dignificar o trabalho dos presidentes de junta, porque além de trabalharem por ‘amor à camisola’, são eles que desenvolvem o nosso concelho com novas ideias e projetos e a realidade confirma que em algumas obras já realizadas pela Câmara, eles foram muito importantes na execução das mesmas e Arouca ficou mais valorizada.

D.D.: Que visão tem sobre a vida política no concelho e sobretudo sobre os principais desafios que se lhe colocam?

H.M.: A vida política é e será sempre importante para que Arouca possa seguir o caminho do desenvolvimento económico e social, porque só com decisões assertivas dos nossos políticos será possível o concelho progredir e para isso terão que ser melhoradas as condições de vida dos arouquenses. A pandemia veio trazer um grave problema económico/social e não se prevê um futuro muito fácil, por isso os políticos do nosso concelho devem estar preocupados em criar novas políticas de apoio social para os jovens e um olhar mais responsável para com os idosos.

D.D.: Como vislumbra as próximas eleições autárquicas, não só a nível da freguesia mas também do concelho?

H.M.: Esta pandemia empobreceu o país, retirou regalias às populações e criou alguns obstáculos a nível social, os dinheiros públicos vão ser menores, por isso os eleitores vão desejar que os próximos eleitos sejam mais realistas e direcionem as suas políticas para situações que possam melhorar a qualidade de vida da população. Os próximos eleitos terão de exercer uma política de proximidade e mais amiga dos arouquenses. Felizmente, a junta de freguesia de Várzea já segue esse caminho (trabalha constantemente para melhorar a qualidade de vida dos varzeenses).

D.D.: Sobre o concelho em geral, como vê o atual estado de desenvolvimento de Arouca?

H.M.: A Câmara de Arouca tem em estudo um programa de desenvolvimento regional para o próximo decénio (10 anos). Acho que o referido estudo deveria ter a participação de todas as forças vivas do concelhos e ser projetado para os próximos 20/30 anos. Apesar do turismo ser uma forte aposta do atual executivo, precisamos de desenvolver todos os setores económicos e volto a referir que o concelho de Arouca precisa de potenciar rapidamente outras atividades, que nos possam deixar mais dividendos e criar mais riqueza. O executivo precisa oferecer novas e melhores condições físicas, para receber os novos empreendedores, que possam trazer mais emprego, para aumentar e melhorar o nosso tecido industrial.

O concelho de Arouca tem um enorme potencial, que poderá e deverá ser aproveitado para criar uma terra com futuro, para isso é da responsabilidade de todos os políticos arouquenses que durante os próximos anos se tomem medidas mais assertivas, caso contrário não passaremos de um terra muito bonita, situada junto à Serra da Freita, mas não conseguiremos sair desta bonita interioridade, que nos irá afetar no futuro. Não sou pessimista, mas temos o dever de interpretar os factos do presente, para poder projetar melhor o futuro, por isso só pretendo ver Arouca nos píncaros do desenvolvimento regional e nacional.

Com a chegada da tão afamada ‘bazuca europeia’ é a altura ideal para que o executivo concelhio aproveite para atingir o desenvolvimento tão desejado pelos arouquenses. O atual e o próximo executivo da Câmara Municipal terão de preparar novas políticas que se enquadrem no referido projeto, para permitir tirar partido da situação presente, caso contrário iremos perder uma oportunidade única para conseguir atingir no futuro, o tão desejado desenvolvimento económico/social e ficaremos todos a perder.